quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Eu gosto de ficar olhando pra sujeira dos meus tênis
e de tentar lembrar dos meus passos,
Gosto do som que as folhas fazem quando piso nelas,
Eu gosto de deixar o vento bagunçar o meu cabelo.

Gosto de andar devagar,
enquanto todo mundo ao meu redor só sabe correr,
mesmo quando isso me atrasa.
Eu gosto de olhar o céu pela janela do ônibus,
e quase me esqueço que ele está lotado.

Eu gosto de como o céu ;algumas vezes;
fica laranja a tarde,
quebrando todo o cinza,
e deixando o amarelo do meu sorriso,mais claro.

Eu gosto de abrir a janela do quarto,
e ficar olhando em silêncio os carros que passasm na rua,
Gosto de ver o vento soprando nas folhas das árvores,
E gosto; ainda mais;quando as vejo caindo suavemente no chão,
como se estivessem dançando.
Gosto de  ficar olhando formigas carregando folhas,
Gosto de brincar com os meus cachorros,
e; as vezes;de ficar apenas olhando,
quieta toda a pureza tão sincera dos olhos deles.

Gosto de como o ar sempre me parece,
mais leve ao anoitecer.
Eu gosto de ficar olhando as estrelas,
e de ver os aviões passando por cima da minha cabeça.

Eu gosto quando falta luz,
De brincar com lanternas no escuro,
e,gosto de apagar as velas quando a energia volta.

Eu gosto de caminhar sozinha de manhã,
Gosto de dormir ouvindo o barulho da chuva,
E,gosto ainda mais de caminhar na garoa fina,
me esquecendo que tem um mundo inteiro ao meu redor.

Gosto de assistir filmes repetidos,
em preto e branco,
E do ruído em gravações antigas,
que me lembram,
do que eu nunca conheci.

Gosto de casas simples,
e de ver crianças brincando no quintal,
Gosto de olhar nos olhos de estranhos,
e de me sentir um pouco menos estranha,
quando eles me olham de volta.

Gosto do cheiro de livros velhos,
e de ficar imaginando quantos olhos
já leram cada uma daquelas palavras.
Gosto de entrar na biblioteca,
e não saber o que quero ler,
Olhar prateleira por prateleira,
só para depois acabar pegando o primeiro livro que vi.

Gosto de usar a régua para traçar linhas
ao acaso no meu caderno,
Não sei porquê ,mas isso me acalma...

Gosto de bagunçar o meu quarto de propósito,
De me perder, e me encontrar,
em meio a essa bagunça.

Gosto de espalhar as folhas no chão,
e do barulho que elas vão fazendo,
quando eu as amasso,
E, gosto de como a minha letra fica  dentro do papel amassado.

Eu gosto de brincar de procurar
palavras ao acaso no dicionário,
só, pra poder me esquecer delas depois.

Gosto de assistir filmes dublados,
E,gosto quando reconheço as vozes,
dos filmes que já vi antes,
nos que eu vejo agora.

Gosto de ouvir canções antigas antes de dormir,
e de olhar pela janela,
quando já é de madrugada.

Gosto de ficar sozinha em casa,
e de aumentar o volume do rádio ao máximo,
deixando a melodia me invadir.

Gosto de ficar observando a sombra dos objetos,
e de criar arco-íris com a mangueira.

Gosto de me sentar pra ver o sol  morrendo,
enquanto nasce...

E, eu tenho um amor imenso,
por tudo aquilo que não conheço,
E, às vezes,chego mesmo, a amar cada um de vocês...

Eu gosto...

...De clichês e de pieguice.

E,eu sei...não precisa me dizer.

Que isso é só mais um clichê,
e, que eu já devo ter dito tudo isso antes...

Mas,sabe,eu só rabisquei todos esses versos aqui ,
pra tentar me esquecer,
que hoje eu acordei,
gostando um pouquinho menos, de tudo isso...
...E de mim também.

E,eu gosto de poesia também...
...Mas,não gosto de escrever.

domingo, 5 de dezembro de 2010

05 de dezembro

Eu não disse nada do que deveria dizer,
não fiz nem a metade do que deveria fazer.

Mas, não é sempre assim?

Tudo parece sempre tão pouco,banal e inútil...
os dias  partem 
um a um,
e  vejo o sol que nasce e morre,
me partindo também...

Mas, não é sempre assim?

São sempre as mesmas palavras gastas sem motivo,
Repetidas,em novos ou velhos versos,
Velhos ou novos lábios,
Que me dizem as mesmas coisas,
não me dizendo coisa alguma,
são os mesmos olhos que não me vêem,
rostos que não me tocam,
vozes que não ouço...

 E ,no meio de tudo isso;
eu; no meu quarto bagunçado,
com livros velhos,
junto a versos igualmente velhos.
e,já são tantas as folhas amassadas agora,
que já não consigo jogar fora...

Sobram-me cadernos,
Versos e mais versos,
com os restos dos meus restos....

As minhas certezas, 
sempre, tão erradas,
desenhadas, nos  borrões da minha letra miúda...

Mas ,não é sempre assim?


"Vou traçando ;sem ter porquê; uma linha reta no infinito dos meus passos tortos,

que me enche a  folha...
... enquanto me esvazia o peito."

É sempre assim...

E, sabe ...eu já não me importo mais, com nada disso.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Zé ninguém

A essa altura o vazio já é tão imenso ,
Que sequer consigo pensar em algo decente para escrever
São 22:57 da noite,
Eu não tenho o que falar ,

Meu corpo cheio de cansaço,
Me esvazia a cabeça...

E essa insônia que me dorme nos olhos
me amanhece,
Me lembrando que amanhã é sábado outra vez,
Outra vez vazio,
Outra vez inútil
Outra vez ...

E essa solidão que me acaricia os cabelos castanhos,
Não me deixa  esquecer que depois de amanhã já é domingo
Ah ,outra vez domingo,
Outro domingo dormido,
Esquecido,e inútil...

E esses versos que escrevo pra ninguém,
Me lembram que também ,eu,
Não passo de um Zé ninguém qualquer,
Perdido por ai,
Junto a outros tantos Zés ninguéns
Que só sabem reclamar
Esperando o dia terminar
Pra depois recomeçar,
E começar,
Pra terminar,
E terminar ,
Pra começar..

E repetidamente,
Início,meio e ...

Mas ,cadê o fim?!

Ficou lá atrás,perdido com um zé ninguém qualquer
Que não quer dormir,
Só pra não ter que acordar mais tarde,
E mais uma vez recomeçar...

Mas,pobre Zé Ninguém..
Mal sabe ele
Que já ta dormindo em pé,e de peito aberto...

E pobre de mim,
Que sei disso também,
E continuo aqui,
Sem dormir,
Só pra não ter que acordar...


 E inútil ,mais uma vez será...
...e escreverá.

Esse pobre Zé ninguém...
... E eu também.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Rascunho qualquer de uma não poeta

Escreveria um poema.
Bordaria em cada linha,
Versos da mais fina seda.
E das entrelinhas nasceriam margaridas,
E estrelas brilhariam como um sorriso.

Faria a chuva cantar silenciosa ,
Entre as margens do meu caderno velho.
E depois do cair da última gota,
A minha letra borrada
Clarearia vendo o sol ,que se põe,
Nascer bem no alto da minha folha vazia,

Desenhando,suavemente, um arco-íris
Que se esparramaria em cada estrofe,
Transformando o cinza em ouro,
E;assim; as minhas lágrimas já não precisariam ,mais, manchar  os meus versos.

Eu escreveria,
Uma  poesia,
Que lhe sopraria
Como uma brisa de vento.

Mas , o vento
Que,hoje, me acaricia a face,
Não é suave,
Rouba-me as palavras doces
Da ponta da caneta.
Borra-me os olhos,
E, só me escreve essas linhas escuras,
Que esparramo inutilmente pelo papel,
Manchando com tristeza,
O que podia, muito bem, ser disfarçado com beleza.

Mas hoje,
Eu não acordei, com vontade mentir.
E  apenas confesso;
o que me engasga a garganta
e me sufoca o peito:

Não,eu não sou poeta,
Sou apenas uma criança triste,
que gasta palavras; àtoa;
vil fazedora de tristezas...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"A ave saí do ovo.Ovo é um mundo.Quem quiser nascer tem que destruir um mundo."

"As coisas que vemos são as mesmas que temos dentro de nós. A única realidade é aquela que se contém dentro de nós, e se os homens vivem tão irrealmente é porque aceitam como realidade as imagens exteriores e sufocam em si a voz do mundo inteiro. Também se pode ser feliz assim; mas quando se chega a conhecer o outro, torna-se impossível seguir o caminho da maioria. O caminho da maioria é fácil; o nosso, penoso. Caminhemos."

[Trecho do livro "Demian", de Hermann Hessen. ]

sábado, 13 de novembro de 2010

Miséria

Ela se esconde entre ruas e esgotos.
E em cada rosto,
Em cada nome.

Ela faz de olhos úmidos seu abrigo.

Ela é o pesadelo que assombra
as noites estreladas.

Ela é a lágrima fria
que escorre em sua face.

E,mesmo quando está ausente,
se faz presente na escuridão,
assombrando aqueles que tentam fechar os olhos.


Seu rosto se perde entre a multidão,
Seus olhar reflete o mundo,
Em suas veias corre o sangue dos justos,
Seu coração se alimenta de todos os corações partidos,
que já não batem mais.

E assim como você e eu,se sustenta,
Com a inocência e a coragem,
De todos aqueles que ousaram um dia sonhar,
que ousaram ter esperança.

Não sei ao certo seu nome;
Apenas sei que ela pode ser;
Maria,Joana,José,João...
Ou talvez tenha teu nome!

São tantos os rostos e nomes que ela assume,
que preferimos, apenas ,apelidá-la de:

Miséria!

[Este é um dos meus primeiros textos,foi escrito quando eu tinha;por volta;de uns 16 anos]

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

02:14

No céu;quietas e sozinhas;
brilham gotas de melancolia,
Resquício de um sorriso apagado,
Suspenso no ar...

Contemplo estrelas ,e,
só,
me esqueço...

Fecho a janela,
apago a luz,
Deito angústia,
e amanheço...

Rascunho e devaneio;sinto sono enfim;
Sonho,
Não adormeço.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Cacos...

Jogando palavras ao acaso...
...Fazendo-me em cacos.

Restos de noites mal dormidas?
Dias não sentidos...

Meias -verdades,
E mentiras inteiras.

Quebrei o espelho,
Partindo ao meio,
O que nele ,
Havia refletido...

Ascendi às luzes
Mas ,foi o escuro que vi,
feito reflexo,entre os cacos.

Sombras de nada...

Sobras, do que se partia,
Fazendo-me em cacos 
de coisa nenhuma.

Sombras de tudo aquilo,
Que partia os meus sentidos.

Parti de mim...
...E ,não espero chegada.

Fiz-me em cacos...
...E não encontro cola.

Apenas, um espelho partido,
E ,outro belo estilhaço de vidro,
Com o qual me cortar mais tarde.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Fantasmas

É a minha doce amargura,
Quem está a segurar a caneta agora.

E ,é ela,
Quem me diz;
Com tom suave;
Enquanto esbofeteia;
E mancha de vermelho;
O que ;antes ;era a minha face clara:

“Vamos, alimente a tua solidão,
Com mais um verso,
Que mora nesse teu sorriso amarelo,

Faça-se em versos,
Com o inverso daquilo
Daquilo que sentir.

Subverta verdades,
Até a tua farsa lhe parecer sincera.

Vá!
O que está esperando?!

Faça um dia de verão,
Nascer do inverno ,
Que se faz no teu coração.

Seja o ator de si mesmo,
Encene mais uma peça barata,
E viva, mais um dia vazio.

Abras o peito com a ponta da caneta,
E arranque de lá,
O coração,
Algumas vísceras,
Junte tudo,
E depois de misturar bem,
Dê de beber aos cães.

Eles estão bem a tua frente,
Só te esperando cair,
Então caia!

Só não se esqueça,
Que a tarefa de levantar,
Cabe apenas a quem caiu,
Então, rejeite as mãos,
Levante-se sozinho.

Ou fique ,assim,
Todo esparramado,
Entre vísceras e de peito ainda aberto,
Pelo teu chão frio.
Só esperando que os cães,
Da tua imaginação febril,
Venham lamber-te a face.

E, quando eles estiverem a urinar ,
Você poderá sentir o calor,
Então aqueça-se!

E ,com um meio sorriso nos lábios,
Faça sair da tua caneta barata outro verso ,
Para espantar os fantasmas,
Que povoam a tua solidão.”

Eu a escuto,  
Rabisco estes...

Mas,continuo vendo,
Os fantasmas que permanecem sentados;
Quietos; ao meu lado.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Desbravando Universos

Palavra por palavra
Linha por linha
E verso por verso.
Vou criando universos
De infinitas possibilidades

E como quem brinca de Deus,
Faço sair da caneta verões gelados
Noites ensolaradas,
E instantes eternos,
Que faço caber dentro da finitude.

Vou colocando palavra dentro de palavra,
Tirando palavra de palavra.

E palavra por palavra,
Vou com a ponta da minha caneta barata e quase sem tinta,
Desbravando universos inteiros.

E com os gritos que sinto apertando o meu peito,
Vou inventando palavras mudas,
E as faço ecoar silenciosas dentro dos teus ouvidos.

 Invento perfumes doces ,
Para as rosas mortas,
Cujos espinhos,
Colhi pelo caminho.

Vou criando,
Recriando.

Fazendo em verso,
 Aquilo que não se fez em mim.

Ressuscito mortos,
Faço paraísos infernais
E infernos gloriosos.
Crio quimeras,
Visto ,e dispo-me de máscaras,
Construo muros,
E enquanto desconstruo mundos,
Fecho-me em casa,
E abro a janela ,
Deixando o mundo entrar,
Em forma de poesia.

E como quem segura uma espada,
Seguro a caneta,
E travo uma guerra,
Contra os demônios,
Que eu mesma invoquei.

Vou apenas tentando me distrair ,
 E esquecer de todo o meu tédio,
 Inventando mundos inteiros,
Que tiro da ponta da caneta ,
E esparramo em forma de palavra,
Pelas minhas folhas,
Enquanto tento preencher com poesia,
A minha alma vazia.

Não ;eu não estou demente
Tão pouco sou poeta...

Sou apenas uma criança tola ,
Que brinca de inventar palavras...
E disfarça de beleza
Aquilo que é só tristeza,
Compondo canções mudas,
Que faço gritar nos teus sentidos.

Vou apenas tirando palavra de palavras.

E enquanto rascunho mais um verso ,
Ouço a pergunta do poeta tolo,
 Com voz de criança esperta :

”O que tem dentro da palavra?”

Oras,meu amigo,
Apenas outra palavra...

Respondo ingenuamente,
Enquanto rabisco mais um verso,
E pergunto para mim mesma :

"O que cabe dentro de uma palavra?"

Ouço;então;do mundo,
Com a mesma voz de criança esperta,
 Em forma de poesia:

Oras,sua tola e pretensa poetiza,
Apenas outra palavra!

Afinal,também o mundo,
Não passa de uma palavra?

Escuto, então, o mundo,
E com um sorriso nos lábios,
Rascunho mais um verso,
Tirando o mundo do mundo.
E colocando mais uma palavra torta,
Na minha folha vazia,

Sinto,então, a caneta estourando enquanto escrevo,
E com a mão ainda manchada de tinta,
Rabisco mais um verso,
E desbravo outro universo                                                                                      

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

...Apenas mais uma nota,que tiro da minha caneta desafinada

Caro poeta,
Que pena que não possa ter tido a chuva para,
Acompanhá-lo na tua caminhada...

Ao menos, não a teve hoje...

Eu, aqui, tive a chuva,
Mas não caminhei...
Apenas a olhei pela janela empoeirada
Fiquei apenas a escutar toda a melodia,
Que as gotas de chuva faziam ,
Tocar no meu telhado,
E que ecoavam como musica nos meus ouvidos,
E acabei adormecendo,
Ouvindo-a cantar para mim.

E quando finalmente sai para caminhar ela já havia cansado,
De cantar; em forma de gota ;sua canção.

Gota por gota,
E nota por nota
Ela havia cantando .
Como fazemos,
Com nossos versos,
Verso por verso.
E lágrima por lágrima.

Chorou a chuva por nós.
Gota por gota.
Chorou por mim,por você e por todos os outros que choram,
As grandes dores do mundo e da vida.
Por todos aqueles que choram,
Sem derramar lágrima alguma.
Todos aqueles que choram
E apenas choram,
Mas não tem a quem pedir um lenço emprestado,
para que possam secar suas lágrimas.
Pois, lágrimas secas não se choram,
E tão pouco se percebem.
Mas,caro poeta,
Sabes muito bem que seca ou molhada
Lágrima é sempre lágrima,
Esteja ela na tua face ou no meu papel...

Mas,caro poeta,quando fui caminhar já não tinha mais a chuva para me fazer companhia,
Tinha apenas os meus passos e um punhado de pensamentos vazios...
E por conta disso,
Não pude ouvir a canção do mundo.

Mas,hoje lendo os teus versos,
E ouvindo o teu jazz,
Eu sorri ,
Pois na melodia que compôs com a tua caneta;
Percebi ao fundo;
Enquanto a caneta tocava o teu papel e fazia um jazz misturado a bossa nova e outros rock’s;
O barulho da chuva.

Sim,eu quase, pude ouvir a canção da chuva que faltou na minha e na tua caminhada.

E essa canção,
Levou-me a querer roubar-lhe,
algumas notas da tua melodia,
Para compor a minha.

Que empresto,
[não só por hoje...]
A qualquer um que seja capaz;como você foi;
De ouvir o barulho das ruas,do mundo ,dos homens e da chuva...
E fazê-los cantar no papel.
Em forma de jazz,blues,rock ou outro ritmo qualquer.
Pois a chuva...

Ah...A chuva meus caros poetas;
Assim como a poesia ;
Não canta só pra mim,
E não se importa com os rótulos 
Que nós ;por não passarmos de maestros míopes;
damos a ela.

Sim;é verdade...
Não passamos de maestros míopes e um tanto cansados pelo peso da caneta.
E, por conta disso, não sabemos como tocar direito.
Mas,tocamos assim mesmo.

Pois, esta melodia,
Que sentimos ecoando silenciosa ,nos nossos ouvidos,
E que tentamos tocar com a caneta,
[confesso que um pouco desafinada às vezes]
É apenas uma pequena parte,
De uma grande sinfonia,
Que toca ;silenciosa; nos ouvidos de cada homem e mulher,
Sem distinção de credo,raça ,ideologia ou classe social...

Ouçam!
Ela está tocando agora,

E não só por hoje...

E ,ela é quase tão bela quanto à própria chuva caindo!
Eu posso ouvi-la e você?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Apenas caminhe

Só por hoje,
Não cantemos toda a nossa amargura.

Eu sei,eu sei...
Não precisa me dizer,
Que cantando ou calando,
Ela vai continuar lá
Bem ao lado de toda a nossa solidão,
Escondida em um canto,
apertando no peito e sufocando a nossa respiração...

Mas só por hoje,
Não rabisque um verso amargo
Não arranque do peito o teu pobre e ferido coração.
Esqueça as tuas dores e vá ver o sol que brilha,
Do lado de fora da tua janela empoeirada.

Só por hoje brinque de esquecer
E  esqueça de si mesmo.
E se puder deixe a caneta e o caderno em casa
E vá caminhar na chuva.

Veja,ela está caindo lá fora!
Por que você não vai tomar um pouco de ar puro, então ?

Só por hoje,
Não blasfeme contra si mesmo,
Não cortes o pulso com a caneta.
E vá apenas caminhar na chuva,
E deixe que ela molhe o teu rosto e lave as tuas lágrimas.

Eu sei,eu sei...
A dor que te dói agora é pesada.
E te faz chorar lágrimas secas,
Que por ;você; não saber mais como verter,
Vai chorando nas tuas linhas
Lágrima por lágrima,
Verso por verso.

Mas só por hoje esqueça essa dor,
E vá caminhar.
Deixe que os teus pés te levem para qualquer lugar;
Não olhe as pegadas que forem ficando pelo caminho;
Apenas siga em frente,
Sem temer a estrada que eles ainda irão tocar.

Eu sei,
Que o chão por onde passas é duro,
E machucas os teus pés já tão machucados;
Pelo sapato apertado que insistes em calçar;
Eu sei porque  também;eu; calço os mesmos sapatos apertados,
E já senti toda a aspereza do asfalto
Tocando os meus lábios.

Mas só por hoje vamos apenas caminhar,
Sem sentir os nossos passos.

Eu sei,
Que a estrada é longa e a tua carga é pesada
Carregas na tua pobre e gasta mochila,
Todo o pesar do mundo,
E ,eu sei,
Pois carrego na minha,peso igual ou maior.
Mas só por hoje,
Não carregue a mochila
E se esqueça do peso

Só por hoje,
Não coloque os teus pesados fones de ouvido,
E apenas escute o som que vem das ruas.

Eu sei,eu sei...
Que a música que vem do asfalto
É demasiada alta,
 E ;por vezes; machuca os teus ouvidos,
Mas só por hoje se esqueça dessas vozes ásperas ,e do ruído das ruas,
Que invadem os teus sentidos e machucam a tua audição,
Com o gemido do mundo.

Só por hoje esqueça-se do mundo, 
Que está ao seu redor!
Esqueça a insônia ,a misantropia,a incompreensão,a rebeldia,a subversão ,e a solidão.

Coloque tudo isso dentro da tua mochila,
E a deixe em casa,ao lado da tua folha vazia,
Da tua caneta barata ,
E dos teus copos cheios de nada,
E vá apenas caminhar.

Veja,tem uma noite adorável,
Se fazendo lá fora hoje!

E a chuva que caí ;
do lado de fora da tua janela empoeirada;
É apenas ,um convite a caminhada,
Se fazendo, para que os teus pés cansados,
De poeta jovem e amargurado,
Possam; enfim; descansar.

Então deixe o mundo para trás,
E se quiser traga consigo a garrafa.

Mas;hoje;
Vá apenas caminhar...

domingo, 10 de outubro de 2010

Na noite quente,
Sentindo todo o pesar do mundo
Latejando na minha cabeça,
E sufocar a minha respiração,
Abro a janela do quarto, para respirar,
Vejo,então, o céu coberto por estrelas,
E o infinito que parecia querer sorrir para mim.

Sim;o infinito me sorria,
E,ele gargalhava também!

Eram as estrelas que via pela janela,
Brilhando;quietas no céu;
O sorriso do infinito
Se fazendo nos meus olhos.

Era o silêncio da noite
Que enchia os meus ouvidos;
Com o seu riso mais doce;
A gargalhada do universo.

O infinito sorria,
E as estrelas pareciam querer
Cobrir de luz toda a nudez do mundo
E ofuscar com o seu brilho toda a miséria e feiúra humana,
Só para que os meus;pequenos e doentes; olhos pudessem enxergar
o universo que sorria do lado de fora da janela;
Totalmente indiferente ao mundo que ardia;
dentro do  meu quarto.

O universo sorriu para mim,
E,eu sorri também,
Esquecendo toda a dor,
Enquanto olhava o céu estrelado
pela janela do meu quarto.

sábado, 9 de outubro de 2010

2010

Encho o meu copo;até a metade;de vazio.
Bebo um gole de nada,
Que vai deixando um sabor insípido no meu paladar.
E enquanto sinto o calor de coisa nenhuma,
Descendo-me pela garganta,
Embriago-me com o vazio.

Sinto a cabeça rodar,
E os meus olhos ficarem pesados.
Pego;então;a caneta
Que sei;está;sem tinta.
E finjo estar escrevendo,
Enquanto vou apenas
Preenchendo de coisa nenhuma
a folha vazia do caderno.
Minha mão cansa.
Finjo;então;ler
os versos cheios de nada,que não escrevi,
Recitando em voz alta;
Sem pronunciar palavra alguma;
Estrofe por estrofe
Da poesia que não fiz.

Olho o relógio,e já são 23:56...
E,agora é o sono que sinto pesando nos meus olhos.
Mas,como ainda não quero dormir,
Bebo mais um gole
Do meu copo vazio.
E sinto o gosto de coisa nenhuma,
Ficar por mais tempo na minha boca
dessa vez...

Separo;então a cartela vazia de aspirina.
Já prevendo a ressaca de nada
Que vou sentir pela manhã.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Siga o mestre

-Você me parece perdido.
Diz ,ele em um tom quase maternal.
E você diz que não.
Mas ele insiste,
E a voz dele é tão meiga,
Ele é tão bonito,e tão inteligente...
Que deve estar mesmo certo.
E você pensa:
“Se ele diz que estou perdido,é porque eu devo estar”
E responde sorrindo:
-sim.
Ele sorri e diz suavemente:
-Vamos, que eu conheço o caminho, e se você for bonzinho e me seguir,eu te levo em segurança pra casa.
Você não diz nada,
E não pergunta nada também,
E vai apenas seguindo a voz dele.
“Afinal,ele não diria isso se não fosse verdade,não é mesmo?”
Você diz pra si mesmo,sem perceber que ele está falando com você.
E ele diz:
-Vire à esquerda
Mas como você está pensando, acaba demorando para se virar,
Ele pára de sorri e grita:
-Pare de pensar e vire a esquerda!
Você se assusta,
E se vira, sem exitar,
Sem perguntar.
Oh não!
Você mal se virou,
E ele já está gritando outra vez:
-Vire à direita!
E você,
Vira o corpo,
E abaixa a cabeça para melhor ver as pegadas dele no chão,
Para ter certeza, que é para direita que ele vai.
Agora ele berra:
-Ande reto!
Você se endireita e segue reto .
Mas ele mudou de ideia e grita:
-Volte pro lugar!
E você quase tropeça tentando obedecer.
-Siga em frente.Não volte pra lá.
Ele se contradiz...
E você não sabe se vai ou se fica.
E ele continua berrando:
-Ande,ande ,ande criatura!
-Ande!!!!
Ele, continua a gritar,
E você continua a escutar,
E a seguir tudo o que ele fala.
-Fique parado!
Diz ele sorrindo.
E você pára.
Ah você pára!
E ele segue,
E desaparece.
Te deixando parado.
Você olha em volta ,e não há ninguém olhando,
Mas ,você não mexe um músculo,
Afinal,ele disse para você parar,
“Ele deve estar certo não é?”
Você pensa,ainda parado.
-Oh não!
Você grita ao perceber o teu erro.
Você pensou,
E ele não te mandou pensar.
Você o desobedeceu.
-E agora?!
-E agora?!
Agora é você quem está berrando.
E ele volta,
E manda você se calar,
Não, ele não manda,
Ele só te olha em silêncio,
Com aqueles grandes olhos cor de terra,
Que te intimidam.
Você fica com medo,
O imita,
Se cala,
E continua parado.
Esperando ouvir da voz dele,
O que você deve fazer,
Para onde você deve seguir,
E como seguir.
Mas, ele apenas diz calmamente:
-Eu já vou indo.
-E eu?Você vai mesmo me deixar aqui parado?
Você pergunta sussurrando.
E ele te responde dando as costas para você:
-Oras meu amigo, foi você quem parou.

sábado, 2 de outubro de 2010

Dialogando com o papel

Eu quero entender?
-Entender não vai te levar a lugar algum.

Eu quero pensar?
-Pensar só vai te fazer, não entender.

Mas eu quero?
-Querer não faz o teu querer, te querer também.

-Eu já vou.

Por que a pressa ?
-O gradual costuma ser pior.

Me deixa ver teu rosto?
-Não pode.

Por quê?
-As máscaras nunca caem completamente.

Não custa sonhar?
-Não tem nada mais caro do que um sonho.

Você não ia embora?
-Eu vou mais tarde

Por que mais tarde?
-Ainda é muito cedo.

Cedo pra que?
-Pra tudo

E o que é tudo?
-Nada.

E o que é nada?
-Tudo.

Isso é absurdo!
-A vida é absurda.

Quem é você?
-Isso é irrelevante.

Claro que é relevante!
-Uma folha em branco...

Oh!É a minha...
-A tua consciência.