quinta-feira, 22 de abril de 2010

Página em branco

Estou entediada,
e é isso!

Sem mais nada a dizer,
simplesmente estou entediada,
estou cansada e não tenho o que fazer.

Então pego uma folha em branco,
na esperança de que me saía da cabeça esse tédio
e vá parar no papel como um poema,
ou qualquer coisa que mate o meu tédio, minha insônia.

Porém estou eu, papel e lápis na mão,
e tudo o que consigo é aumentar o meu tédio,
registrando todo o meu vazio em uma folha,
que poderia muito bem ter continuado em branco,
ou melhor, que deveria ter continuado em branco.
pois continuo entediada,

Só que agora o meu tédio é poesia,
inútil e vazia.
como uma noite com insônia;
como um poeta entediado;
como uma página em branco.

Mas que droga!
já estou quase acabando e continuo entediada...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eu queria escrever um poema

Eu queria escrever um poema
Algo que fosse; ao mesmo tempo; suave e ardente,
Algo que fosse belo o bastante para preencher o meu vazio.
algo simples, mas que alegrasse o dia.

Queria escrever um poema... Apenas escrever um poema
Apenas registrar em palavras os meus passos,
Apenas capturar os meus pensamentos
E rabiscá-los em um pedaço de papel
Tornar a minha confusão poesia
Tornar as minhas lágrimas versos
E transformar os meus sorrisos em rimas
Eu queira escrever um poema...

Eu queria com a minha vida escrever um poema.
Eu queria fazer da minha vida palavras
Eu queria me transformar em versos de uma grande poesia
Eu queria fazer de meus passos poesia.
Eu queria fazer dos meus sonhos canetas
Para esparrama-los em forma de tinta no papel

Eu queria com a minha vida escrever um poema.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Rosa

Ele estava regando as flores no jardim
Quando de repente percebeu
Que a pequenina rosa,
Aquela a qual lhe dedicara todo o seu esforço e amor
Estava morrendo,
“Tão linda”, ele pensou,
Mesmo assim quase morta algo nela preservava seu encanto,
“Tão linda e tão frágil”
Ele se lembrou dos dias que passou
Regando suas pétalas,
Lembrou do dia em que a plantou
Em um vaso ;pequenino; como um dia ela seria
Lembrou de ficar parado,
Apenas olhando o vaso,
Enquanto esperava que ela florescesse
Lembrou de sua alegria,
Quando em uma manhã ensolarada
Ela finalmente desabrochou,
E ele a viu pela primeira vez
Tão pequenina e frágil, como só as rosas cultivadas com carinho e paciência
Podem ser,
Ele se lembrou de como sua beleza o enternecia nas manhãs de sol
Ela ficava quase tão bela, quanto no dia em que floresceu.
Era uma manhã de sol...
E ele chorou como já não chorava desde criança,
Chorou e suas lágrimas regaram
As pétalas da rosa.
Porém, a rosa não pôde sentir o calor de suas lágrimas.
Sentiu apenas o beijo frio da morte,
Pois mesmo as mais belas rosa dos jardins,
Morrem um dia...
Ele sabia disso, e chorou,
“Como era bela” pensou,
Enquanto regava as margaridas
Em outro canto do jardim.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sentido... Sentindo

Que razão há em qualquer palavra?

Que razão haveria de existir na essência de qualquer palavra?

Esperar sentido em uma palavra,
é como esperar que se faça sentido aquilo o que se sente.

Esperar coerência em verso,
é como pedir ao sol que explique o porquê de seu calor,
é como pedir ao céu que explique o porquê de seu azul.

Não saber o que respiro me faz parar de respirar?
Não, pois o ar não se importa em ser explicado.
Ele apenas quer ser sentido.

Como o sol quer apenas aquecer,
e o céu quer apenas ser azul.

A Terra não pára de girar por alguém não saber o que a faz girar,
Pois, nem mesmo ela, sabe o que a fez girar, apenas gira, gira e gira... Completamente ignorante a respeito da própria rotação.

Por que então, devo eu, buscar sentido,
nas palavras que escrevo?

Por acaso a pedra deixa de ser pedra por não se saber pedra?

E a poesia deixa de ser poesia por não se saber poética?

Do que me valeria encontrar alguma coerência,
alguma coesão, ou até mesmo, algum sentido nas palavras,
se nem ao menos a vida possui algum?

Do que me valeria buscar sentido na poesia,
quando o que realmente importa não é entendê-la ,
e sim senti-la, e tão somente, senti-la?