segunda-feira, 28 de junho de 2010

Achados e perdidos

Quem procura acha,
Dentro da própria cabeça,
Um universo de palavras.
Palavras tristes e alegres.
Que se pode usar,
Para cantar um sonho que se teve,
Com os olhos ainda abertos.
Que se pode usar para contar,
Um segredo que antes esteve
Bem guardado dentro de um coração,
E que sem pensar,
Vai virando rimas ,
Para os poemas mais tolos.

Quem procura acha,
Dentro da própria cabeça,
Um universo de palavras.
Que se pode usar,
Para festejar ou chorar.
Fica livre para escolher,
O que melhor lhe parecer.
Pois para um verso,
Tanto faz ser lagrima ou ser riso!
Tudo cabe na mesma linha,
E pode ser escrito com a mesma tinta.
Basta para isso,
Que a mão não trema,
E que a cabeça não tenha medo de gastar a tinta,
De gastar a imaginação,
Ou até mesmo o coração.

Quem procura acha,
Dentro da própria cabeça,
Um universo de palavras.
Que se pode usar,
Para desenhar em folhas brancas,
Pequenos pecados,
Que se podem rasgar depois,
Caso se conte mais,do que o papel deva saber.

Quem procura acha,
Dentro da própria cabeça,
Um universo de palavras.
Que se pode usar,
Para se enxergar melhor,
Ou para se esquecer melhor,
Pois cada vez que me olho nesse espelho de palavras,
Me esqueço de como eu era na noite passada,
De como eu era nas linhas passadas.

Quem procura acha,
Dentro da própria cabeça,
Um universo de palavras.
Que se pode usar,
Para salvar ou matar.
Basta, para isso,saber
O que queres cantar,
Se é o veneno ou o remédio.
Mas quem procura acha,
E acaba descobrindo,
Que muitas vezes não há diferença,
Entre o veneno e o remédio.


Quem procura acha,
Dentro da própria cabeça,
Um universo de palavras.
Que não são tristes nem alegres,
Mas que se pode usar
Para cantar a vida.
Pois a vida não é triste, nem é alegre.
É apenas um sonho,
Que quem procura acha,
Dentro da própria cabeça.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Olhos doentes

Os olhos com os quais enxergo
Não são realmente meus,
São olhos que tomei emprestados
Porque me disseram que sem eles
Não posso ver como deveria,
Não posso ver o mundo,
Como os outros veem

Pois os meus verdadeiros olhos,
Só enxergam uma parte das coisas
Uma parte bastante embaçada
E sem muitas cores
Me disseram que com meus verdadeiros olhos
Eu perco uma parte do mundo
E por isso só posso ver um lado da vida
Pois o outro lado está sempre no escuro
Mas, mesmos o lado que vejo,
Também não é muito claro

Disseram que meus olhos
Possuem um defeito, e que só
Querem entender tudo errado.
Me disseram que tenho olhos doentes

Me recomendaram;então;como alternativa de cura
Outros olhos,
Olhos que ajudariam a enxergar a vida
Como ela realmente é
Olhos que me fariam
Enxergar normalmente,
Como todo mundo vê

Foi por isso que peguei emprestados outros olhos
Que agora exibo orgulhosamente
Como se eles sempre tivessem me pertencido

E agora que tenho esses olhos normais
Disfarçando a doença dos meus antigos olhos
Ninguém duvida mais do que vejo
Agora que tenho esses olhos emprestados
Posso ver; segundo o que me disseram;
Tudo diferente,
Posso ver mais nitidamente
Os rostos das pessoas
E reconhecer seus sorrisos,
Posso;até mesmo; ler suas palavras
Sem que suas idéias fiquem embaçadas nos meus olhos.

Agora que vejo tudo enquadrado
Pelas lentes dos meus óculos
Vejo a vida mais clara
Vejo tudo certinho
Tudo arrumadinho
Livre dos borrões que costumava ver
Vejo tudo como deveria ver
Mas, ainda assim,
Usando esses olhos emprestados,
Vieram me dizer
Que não tenho visto bem as coisas!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Brincando de ser poesia

O que é ser poeta?
Ser poeta não é ser sério,
Não é ser tolo.
Ser poeta não é ser louco,
Embriagado pela vida,
Mas também não é ser lúcido.
Ser poeta não é ser engomado, arrumado, conformado...
Ser poeta é ser criança,
É brincar com as palavras,
Brincar com as formas,
Com as cores,
E com os ritmos das coisas.

Ser poeta é brincar com a vida,
Brincar com as emoções,
Com as sensações.
Ser poeta é brincar de ser ator,
Sem jamais precisar pisar em um palco.
É brincar de ser cantor,
Sem jamais ter composto uma única nota.
É brincar de cantar a vida,
E também a morte.

Ser poeta é brincar de ser verão
em pleno inverno.
Ser poeta é ser vivo,
É ser morto.

Ser poeta não é ser coerente,
Não é fazer sentido.
Ser poeta é estar condenado
À eterna liberdade das palavras.

Ser poeta não é ser rima,
Não é ser verso,
Não é alegoria.
Ser poeta é ser amor,
Ser ódio,
Ser tristeza e alegria!
É ser tudo isso junto
Na mais imperfeita harmonia,
Como se fossem uma só canção,
Uma só sensação,
Com se fossem apenas versos
De uma mesma poesia.

Ser poeta é ser palavra,
Ser verbo, ser plural, ser adjetivo,substantivo
Nunca um ponto final,
É ser passado, presente e futuro,
Ser poeta é ser uma eterna interrogação,
Seguida por exclamações mil,
E também algumas rimas,só para não perder a mania...

Ser poeta não é ser tolo,
Nem tão pouco ser louco.
É ser vivo!
Ser poeta é brincar de ser criança,
Brincar de ser esperança.
Ser poeta é brincar de ser dor,
Brincar de ser remédio,
Pra quem brinca de estar doente.

Ser poeta é brincar de ser criança,
Ser poeta é brincar de escrever poesia,
É brincar de ser poesia.