segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A dúvida da cadeira

Estava sentada escrevendo,
Estou sempre sentada escrevendo.
Ah, esse velho hábito de sentar para escrever...
Mas quem foi que inventou as cadeiras?
Pergunto em voz alta.
Mas que estupidez!
Não quero saber quem foi que inventou as cadeiras,
Não quero saber quem inventou coisa alguma nesse mundo.
Isso de querer saber quem inventou as coisas do mundo,não passa de mera pretensão do saber.
Talvez, eu até queira saber quem foi que inventou o mundo...
Mas isso também, é só mera pretensão.
E de nada me valeria saber isso.
Não;eu não quero saber quem foi que inventou o mundo,
Saber isso tiraria toda a graça de estar nele.
Não quero saber,mas quero perguntar,e pergunto:
Quem inventou o mundo?!
‘“Foi...”
Diz ele,tentando elaborar uma resposta.
Não ;não me diga!
Por favor,não me diga...
Quero apenas perguntar,mas não quero resposta alguma.
As respostas só acabariam com a graça de duvidar.
Eu quero duvidar!
Apenas duvidar...
“Mas quem inventou o mundo?”
Ele me pergunta,recomeçando a conversa.
“Não sei,sequer imagino uma resposta.”
Respondo ,timidamente para ele.
“Claro que imagina,todo mundo imagina”.
Diz ele olhando fixamente para os meus olhos.
“Sim;imagino...”
Respondo olhando fixamente para a parede e esquivando-me dos olhos dele.
Pois apenas imagino,
E não quero responder nada!
Quero apenas perguntar ,
Como se fosse uma criança em idade escolar;
Que passas o dia querendo saber por que isso,por que aquilo;
Quero perguntar também,
Por que isso?
Por que aquilo?
Mas não quero resposta alguma,
E daria um soco em quem as respondesse para mim.
Daria sim,se isso não fosse fazer a minha mão doer...
Mas,como dói bater,esquivo-me de olhar ns olhos dele e volto a minha atenção para a parede.
Mas quem foi que inventou o mundo?
Ele volta a perguntar.
Mas quem é ele,que está a me perguntar isso?
Eu só estou sentada a escrever,sozinha no meu quarto.
Quem foi que perguntou isso então?
Foi o mundo?
Sim;foi o mundo!
E quem foi que inventou o mundo?!
Oras,foi..
Ah!
Não quero saber quem inventou o mundo...
Mas acho que vou pesquisar a respeito do cara que inventou as cadeiras.
“Talvez ,ele, seja o mesmo cara que inventou o mundo”.
Diz ele sorrindo ironicamente para mim.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Palavra solta...Verso inútil

                Tudo é tão inútil...
                                             Simplesmente


                       I
                          
                                      N
                                                    Ú


                       T
                                               
                                     I
                                                       L

      Tão inútil,

                                  b
                            a
                                  n
                                          a  
                                                          l
                         
                                  e

                          c
                                      a
                                             s
                                                        u
                                               a
                                                            l,

               quanto jogar letras
                                  s
                                         o
                                                l
                                      t

                                      a
                                                s
                                  em um pedaço de papel em branco...
    
              Tão inútil quanto jogar
                   
                                      versos
                  soltos
                                     no
                                    
                                                    papel
   
               e
                               fazer
                                                         poesia,
    
                                    Tão inútil quanto foi escrever essas palavras.
                          Tão inútil quanto foi
                                               j
                                                       o
                                               g
                                                       a
                                                                r
                                                                  esses versos no papel.             .
   
             Tão inútil,
                                           quanto é tentar
                                                                   alinhar as linhas,
                                         
                                                   que não se
                        querem
                                                             alinhar...

                                                     tão inútil quanto tentar fazer sentido,
               
                                          tão inútil quanto buscar coerência,
              
                                tão inútil quanto se sentir inútil...


                                         Tudo é tão inútil.
                                 Simplesmente...
                                        ...Vocês sabem o resto.

   

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Poesia suja

Escrevendo sobre sentimentos esdrúxulos,
Vem-me a cabeça palavras; ainda; mais esdrúxulas que os sentimentos.
Escrevendo sobre dias inúteis ,
Vem-me à cabeça palavras inúteis.
Escrevendo sobre idéias confusas ,
Vem-me à cabeça palavras ainda mais confusas.
E se me vem à cabeça palavras esdrúxulas,inúteis e confusas,
Por que não devo, eu, usá-las?
Por que devo prender-me aos bons modos,
Quando o quero dizer não são palavras doces
Por que adoçar os olhos de quem me lê,
Diminuindo o tom do que eu quero escrever...

Palavras são só palavras,
E o esdrúxulo,o inútil e o confuso não estão dentro delas,
Está dentro dos olhos de quem as lê.
E mesmo as palavras mais esdrúxulas, as mais chulas e as mais ordinárias,
Tem o seu lugar na vida ,
E;consequentemente;na poesia.
Não limitemos ;então; os nossos versos com a boa educação.
Com frases bem construídas,porém vazias,
E rimas que não dizem nada.
Não limitemos os nossos versos
A uma métrica pobre ,
Que vá ao diabo toda essa métrica,
Que é usada para esconder a falta do que falar
Para esconder a falta de essência e conteúdo
Pois, não existem poesias sujas.
E os termos chulos não empobrecem, nem comprometem o conteúdo poético da poesia,
Quando; esta; é verdadeira.


Se for esdrúxulo o que quero dizer
Direi de maneira esdrúxula e com palavras chulas ,
Caso ache que as palavras chulas sejam melhores ,
Se for inútil,
Me valerei de palavras inúteis,
Se for confuso,
Serão confusas as frases também...
Pois não existem ,realmente ,palavras que sejam chulas,inúteis ou confusas,
Pois o que realmente é chulo, é evitá-las ,
O inútil, é querer negá-las,
E o confuso, é dizer que não cabe na poesia ,
Aquilo que cabe dentro de mim.

domingo, 12 de setembro de 2010

As palavras fugiram do título também...

Tanta coisa ainda por dizer,
Mas não encontro palavra alguma que caiba no meu dizer,
Não encontro palavra alguma...
Não penso em palavra alguma.

As palavras fugiram?
Sim;as palavras me fugiram,

Elas escaparam,
E se esconderam em algum canto escuro da minha mente,
Como se fossem poeira escondida no canto da sala,debaixo do tapete...
As palavras me fugiram,e eu não sei mais o que eu queria dizer,
E de nada me vale lembrar do que eu ia dizer,
Pois agora o que eu quero dizer já não é mais a mesma coisa de antes,
Já não são mais as mesmas palavras que quero pronunciar,

Mas quais eram mesmo as palavras que queria dizer antes?
E o que eu queria dizer com elas?
Já não me lembro...
E se agora essas palavras que escrevo aqui forem ,
Na verdade as palavras que me haviam fugido da memória?
Tanto faz...
as mesmas palavras ou outras palavras,

No final das contas é tudo palavra falada e ouvida...
É tudo palavra,
Que foge e que volta a memória,e ao papel,
Sem aviso,sem despedida,
Elas simplesmente vem e vão,
Vão e vem,
Mais nada...

Não há fidelidade quando se trata de palavras,
Elas fazem o que querem e aparecem quando querem,
E são de quem as quiser.
São palavras, apenas palavras que me encontram ,
Palavras que me fogem...

Mas o que eu queira mesmo dizer?!

sábado, 11 de setembro de 2010

Contando as horas

Não conto às horas que se foram,
Pois horas que se foram não se devem contar,se devem calar.
Não conto os anos que passaram,
Pois estes ainda estão em mim,
Eles não se foram,apenas se somaram a todos os outros que eu já tinha,
Assim como se somarão também os anos que ainda estão por vir,
E mesmo os que não virão,irão se somar.
Se não a mim,que aqui já não estarei,
Mas aos que certamente ainda estarão aqui, à colher prima-veras,invernos e verões...

Quanto a mim, que nunca os colhi ,não me preocupo em contá-los,
Basta-me observá-los de longe
E saber que por aqui estiveram.

Todas as horas,
Todos os dias,
Todos os anos,
E suas prima-veras,verões,outonos e invernos,
Toda a chuva,todo o sol,toda sombra,toda brisa e ventania,
Tiveram para mim o mesmo gosto e fizeram os mesmo estragados.

Estragos que só hoje posso ver em mim,
Que só agora posso sentir.

Horas que só agora percebo ter tido,
Dias que só agora percebo que vivi,

...Anos que só agora sinto em mim,sinto somando-se a mim.

Não;não é o meu aniversário,
E diferença nenhuma faria se hoje fosse o dia em que faço anos,
Pois todos os dias ,se fazem como anos em mim...

Cada dia,hora,semana,mês,e até mesmo cada segundo que respiro,é um novo ano se fazendo em mim,
Cada nascer do sol é um novo sol,mesmo sendo o mesmo sol
Pois é sempre o mesmo sol,
É sempre o mesmo ano,
E é sempre a mesma pessoa a olhá-los,
E ao mesmo tempo é sempre um outro nascer do sol,
É sempre um outro ano.

E eu ...
Já não sou a mesma pessoa,apesar de continuar a olhar para tudo isso, através dos mesmos óculos velhos .
Apesar de perecer a mesma pessoa,
De falar do mesmo modo,
De usar os mesmos ténis sujos,
De ter a mesma voz,
Os mesmo olhos cansados,
Apesar de continuar a rasgar o meu jeans do mesmo jeito,
Apesar de continuar a bagunçar o meu cabelo de propósito,
De ouvir as mesmas musicas,
De ler os meus livros,
E apesar de continuar com essa maldita mania de escrever sempre os mesmo versos tolos,
Que mais parecem uma continuação dos antigos,

[Pois, sempre falam das mesmas coisas...]

Eu já não sou a mesma pessoa,
Já não falo as mesas coisas,
O ténis que sujo,agora já é outro,
A minha voz, já não tem o mesmo tom,
O cansaço dos meus olhos,já não é o mesmo cansaço de antes,
O jeans que rasgo,já não são os mesmos,e nem os rasgos são os mesmos,
As musicas que ouço já não soam do mesmo modo aos meus ouvidos,parecem ter outra melodia ,outro gosto,
E os meus livros,de tanto os reler,já tenho sua linhas gravadas na minha memória,
E seu sentido,já faz um novo sentido em mim.
E até essa maldita mania de escrever,
Já não é mesma,
Nem mesmo a minha letra é a mesma,
Ela está cada vez mais borrada e confusa,
Quanto aos meus textos....
Se estão mais borrados ou confusos do que antes, não sei,
Mas, que já não são os mesmos,não são.
Assim como os anos que vejo passando por mim,não são os mesmos.
E já não os sinto como sentia antes,
E não os conto,como contava antes,
Apenas deixo que venham,
E tragam consigo,seus verões,prima-veras,invernos,e tudo o mais que tiverem para trazer,

E se eles ficarão comigo?
E se me farão estragos?

Tanto faz,
Que venham os estragos!
Que venham os anos,
As rugas,os cabelos brancos,
E até a morte também será bem-vinda,
Não só a física,
Mas todas as outras mortes as quais o ser está inevitavelmente exposto...

Que venham,
Que venham,
Que venham,
Que venham!

Que venha o tempo,
E que ele fique,pelo tempo que quiser ficar.
Que venham os anos, e se não poderem ficar,
Que eles passem por mim,
E que se somem aos que já tenho,
Que venham os anos,
Pois eu ,já não os temo e nem os conto,apenas os sinto...
Apenas respiro as horas,os dias,as semanas...
Apenas respiro a vida,sem medo dos anos que irei perder ou ganhar,
Sem medo de ver os anos se desfazendo na minha frente.
Que os anos se façam e se desfaçam em mim!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Relógio quebrado

É tudo tão inútil,
E de toda essa inutilidade já estou farta.
Estou farta de tanto bater,
De tanto apanhar,
De tanto tentar abrir portas que não se querem abrir,
Eu estou cansada desses dias vazios,
E dessas horas que parecem não passar.

É sempre o mesmo tic-tac incessante do relógio,
Que não corre?
Não;os seus ponteiros não correm mais,
Pois o relógio quebrou,
E eles pararam!

E marcam meio-dia?

Não; eles marcam meia-noite,
...Tanto faz é tudo a mesma coisa.

Meio dia ou meia noite,
É sempre meio ,
Nunca inteiro.

É sempre pela metade....
É sempre só uma parte,
É sempre pouco,
É sempre lento.

Os ponteiros vão andando,
Eu fico de olhos fechados, apenas escutando esse tic-tac sem fim,
Apenas escutando, sem conseguir dormir,
Sem conseguir desviar a minha atenção para outra coisa,
Fico apenas escutando e pensando,
Nas horas que não passam,
Nas horas que ficam,
Ficam aqui comigo,
Nos meus ouvidos ,
Nas horas que se prendem a mim em forma de relógio,
Em forma de tic-tac...

Tic-tac,tic-tac,tic-tac...

Maldito tic-tac que não cessa...
Malditas horas que não passam...

Ai,estou farta desse tic-tac,
Vou comprar um relógio analógico...
Que bobagem, com ou sem tic-tac,
As horas vão continuar
guardadas na minha memória,
Que continua a escutar o tic-tac que já passou,
O tic-tac que está dentro da minha cabeça...
O tic-tac incessante que está preso nas horas que não passam,
E eu não preciso de relógio algum para ouvir o barulho das horas que não passam,
Pois elas não fazem barulho,
Elas só passam,
E ficam ...

Ficam latejando dentro da minha cabeça,
Como se fosse o tic-tac ,
Do relógio que não tenho,
Das horas que desperdicei,
Das horas que se foram,
Dos tic-tacs,que não escutei,
Como se fosse o som das horas que ainda não passaram.

Ah, acho que prefiro o tic-tac do relógio....
...Sim,prefiro ouvir o tic-tac ,
Do relógio quebrado que marca as horas que não passam.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sonhador

A dor é inerente ao ser;
quando humano;
assim, como o ar é vital para o fôlego,
a fome para o alimento,
a sede para a água,
e o pesadelo para o sonho,

Pois, somos todos sonhadores,
e sonhar é também sofrer,

O sonhador é alguém que sonha a dor
para depois, sentir o alivio,

Sonha-dor é
Dor - sonhada,

Da qual precisamos,
assim, como a água precisa da sede,
o alimento da fome,
o fôlego do ar,
e, o humano da dor...

Para ,assim, viver,

E, não há sonho mais doce e,
mais doloroso do que querer,
viver sem dor.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Vamos

E assim vamos nós lutando contra a corrente,
lutando contras nós mesmo,
sem saber por que e pra que,
assim vamos nós lutando por não poder mais vencer,
por não saber mais como perder,
por não saber mais nada,além daquilo que sempre soubemos,
E o que sempre soubemos?
Oras,nada!
É sempre esse nada,
Esse maldito nada,que por vezes se parece tanto com alguma coisa...
mas que no fundo é nada,
pois nada é sempre nada...
E assim vamos nós tentando quebrar muros,que nós mesmos,como crianças tolas e insensatas que somos,construímos ao nosso redor,
Assim vamos nós sem saber por onde ir,
sem saber como chegar,
e sem saber se vale a pena ir ou ficar,
Assim vamos nós tentando nos despedir das nossas duras máscaras,
sem perceber que elas são também os nossos rostos,
Assim vamos nós,
caminhando sozinhos e tristes,
para algum lugar do qual não sabemos nada,
Pois o que sabemos nós afinal?
Nada!
E, assim, vamos nós por nada e pra nada...