quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Eu gosto de ficar olhando pra sujeira dos meus tênis
e de tentar lembrar dos meus passos,
Gosto do som que as folhas fazem quando piso nelas,
Eu gosto de deixar o vento bagunçar o meu cabelo.

Gosto de andar devagar,
enquanto todo mundo ao meu redor só sabe correr,
mesmo quando isso me atrasa.
Eu gosto de olhar o céu pela janela do ônibus,
e quase me esqueço que ele está lotado.

Eu gosto de como o céu ;algumas vezes;
fica laranja a tarde,
quebrando todo o cinza,
e deixando o amarelo do meu sorriso,mais claro.

Eu gosto de abrir a janela do quarto,
e ficar olhando em silêncio os carros que passasm na rua,
Gosto de ver o vento soprando nas folhas das árvores,
E gosto; ainda mais;quando as vejo caindo suavemente no chão,
como se estivessem dançando.
Gosto de  ficar olhando formigas carregando folhas,
Gosto de brincar com os meus cachorros,
e; as vezes;de ficar apenas olhando,
quieta toda a pureza tão sincera dos olhos deles.

Gosto de como o ar sempre me parece,
mais leve ao anoitecer.
Eu gosto de ficar olhando as estrelas,
e de ver os aviões passando por cima da minha cabeça.

Eu gosto quando falta luz,
De brincar com lanternas no escuro,
e,gosto de apagar as velas quando a energia volta.

Eu gosto de caminhar sozinha de manhã,
Gosto de dormir ouvindo o barulho da chuva,
E,gosto ainda mais de caminhar na garoa fina,
me esquecendo que tem um mundo inteiro ao meu redor.

Gosto de assistir filmes repetidos,
em preto e branco,
E do ruído em gravações antigas,
que me lembram,
do que eu nunca conheci.

Gosto de casas simples,
e de ver crianças brincando no quintal,
Gosto de olhar nos olhos de estranhos,
e de me sentir um pouco menos estranha,
quando eles me olham de volta.

Gosto do cheiro de livros velhos,
e de ficar imaginando quantos olhos
já leram cada uma daquelas palavras.
Gosto de entrar na biblioteca,
e não saber o que quero ler,
Olhar prateleira por prateleira,
só para depois acabar pegando o primeiro livro que vi.

Gosto de usar a régua para traçar linhas
ao acaso no meu caderno,
Não sei porquê ,mas isso me acalma...

Gosto de bagunçar o meu quarto de propósito,
De me perder, e me encontrar,
em meio a essa bagunça.

Gosto de espalhar as folhas no chão,
e do barulho que elas vão fazendo,
quando eu as amasso,
E, gosto de como a minha letra fica  dentro do papel amassado.

Eu gosto de brincar de procurar
palavras ao acaso no dicionário,
só, pra poder me esquecer delas depois.

Gosto de assistir filmes dublados,
E,gosto quando reconheço as vozes,
dos filmes que já vi antes,
nos que eu vejo agora.

Gosto de ouvir canções antigas antes de dormir,
e de olhar pela janela,
quando já é de madrugada.

Gosto de ficar sozinha em casa,
e de aumentar o volume do rádio ao máximo,
deixando a melodia me invadir.

Gosto de ficar observando a sombra dos objetos,
e de criar arco-íris com a mangueira.

Gosto de me sentar pra ver o sol  morrendo,
enquanto nasce...

E, eu tenho um amor imenso,
por tudo aquilo que não conheço,
E, às vezes,chego mesmo, a amar cada um de vocês...

Eu gosto...

...De clichês e de pieguice.

E,eu sei...não precisa me dizer.

Que isso é só mais um clichê,
e, que eu já devo ter dito tudo isso antes...

Mas,sabe,eu só rabisquei todos esses versos aqui ,
pra tentar me esquecer,
que hoje eu acordei,
gostando um pouquinho menos, de tudo isso...
...E de mim também.

E,eu gosto de poesia também...
...Mas,não gosto de escrever.

domingo, 5 de dezembro de 2010

05 de dezembro

Eu não disse nada do que deveria dizer,
não fiz nem a metade do que deveria fazer.

Mas, não é sempre assim?

Tudo parece sempre tão pouco,banal e inútil...
os dias  partem 
um a um,
e  vejo o sol que nasce e morre,
me partindo também...

Mas, não é sempre assim?

São sempre as mesmas palavras gastas sem motivo,
Repetidas,em novos ou velhos versos,
Velhos ou novos lábios,
Que me dizem as mesmas coisas,
não me dizendo coisa alguma,
são os mesmos olhos que não me vêem,
rostos que não me tocam,
vozes que não ouço...

 E ,no meio de tudo isso;
eu; no meu quarto bagunçado,
com livros velhos,
junto a versos igualmente velhos.
e,já são tantas as folhas amassadas agora,
que já não consigo jogar fora...

Sobram-me cadernos,
Versos e mais versos,
com os restos dos meus restos....

As minhas certezas, 
sempre, tão erradas,
desenhadas, nos  borrões da minha letra miúda...

Mas ,não é sempre assim?


"Vou traçando ;sem ter porquê; uma linha reta no infinito dos meus passos tortos,

que me enche a  folha...
... enquanto me esvazia o peito."

É sempre assim...

E, sabe ...eu já não me importo mais, com nada disso.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Zé ninguém

A essa altura o vazio já é tão imenso ,
Que sequer consigo pensar em algo decente para escrever
São 22:57 da noite,
Eu não tenho o que falar ,

Meu corpo cheio de cansaço,
Me esvazia a cabeça...

E essa insônia que me dorme nos olhos
me amanhece,
Me lembrando que amanhã é sábado outra vez,
Outra vez vazio,
Outra vez inútil
Outra vez ...

E essa solidão que me acaricia os cabelos castanhos,
Não me deixa  esquecer que depois de amanhã já é domingo
Ah ,outra vez domingo,
Outro domingo dormido,
Esquecido,e inútil...

E esses versos que escrevo pra ninguém,
Me lembram que também ,eu,
Não passo de um Zé ninguém qualquer,
Perdido por ai,
Junto a outros tantos Zés ninguéns
Que só sabem reclamar
Esperando o dia terminar
Pra depois recomeçar,
E começar,
Pra terminar,
E terminar ,
Pra começar..

E repetidamente,
Início,meio e ...

Mas ,cadê o fim?!

Ficou lá atrás,perdido com um zé ninguém qualquer
Que não quer dormir,
Só pra não ter que acordar mais tarde,
E mais uma vez recomeçar...

Mas,pobre Zé Ninguém..
Mal sabe ele
Que já ta dormindo em pé,e de peito aberto...

E pobre de mim,
Que sei disso também,
E continuo aqui,
Sem dormir,
Só pra não ter que acordar...


 E inútil ,mais uma vez será...
...e escreverá.

Esse pobre Zé ninguém...
... E eu também.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Rascunho qualquer de uma não poeta

Escreveria um poema.
Bordaria em cada linha,
Versos da mais fina seda.
E das entrelinhas nasceriam margaridas,
E estrelas brilhariam como um sorriso.

Faria a chuva cantar silenciosa ,
Entre as margens do meu caderno velho.
E depois do cair da última gota,
A minha letra borrada
Clarearia vendo o sol ,que se põe,
Nascer bem no alto da minha folha vazia,

Desenhando,suavemente, um arco-íris
Que se esparramaria em cada estrofe,
Transformando o cinza em ouro,
E;assim; as minhas lágrimas já não precisariam ,mais, manchar  os meus versos.

Eu escreveria,
Uma  poesia,
Que lhe sopraria
Como uma brisa de vento.

Mas , o vento
Que,hoje, me acaricia a face,
Não é suave,
Rouba-me as palavras doces
Da ponta da caneta.
Borra-me os olhos,
E, só me escreve essas linhas escuras,
Que esparramo inutilmente pelo papel,
Manchando com tristeza,
O que podia, muito bem, ser disfarçado com beleza.

Mas hoje,
Eu não acordei, com vontade mentir.
E  apenas confesso;
o que me engasga a garganta
e me sufoca o peito:

Não,eu não sou poeta,
Sou apenas uma criança triste,
que gasta palavras; àtoa;
vil fazedora de tristezas...