segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Em 11 linhas

Eu acordo tarde...

Não vou insistir nessa falta de assunto.

Não tenho muito que lhe dizer,
Dizer é sempre tão vago...

Será, assim, amanhã também.

Me pareço com qualquer coisa,
que não se parece com nada.
E me cansa tanta incoerência,
me entedia tanto nada.

Não ter o que sentir,
é sempre tão ardente, não é mesmo?

Em 14 linhas

Vivo de pequenas incoerências.
Embaralho as letras da minha consciência,
dou-me as costas para olhar-me de frente,
canto silêncios,apanhado ausências:

As horas em mim são iguais a pequenas tormentas,
sou embarcação náufraga de si mesma,
cada movimento da caneta,
me denuncia um vazio,
me navego,
me perco,
e,me encontro,assim.
Sou minha nau, e meu porto,

Preservo os pés firmes em mim mesma.
Todo o resto me parece loucura...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Deveria ter escrito isto ontem,
mas, estou escrevendo hoje.

Deveria ter visto isto ontem,
mas, estou vendo hoje:

Todas as coisas em mim,
são, estúpidas e vazias.
Não;todas as coisas,em todas as coisas,
são estúpidas e vazias.

Todos os instantes que vagueio em mim,
Findam em você...

Enxergo-me melhor agora que não tenho espelhos,
Sou resultado, inalterável, do que não fui.
E, isso me parece, extremamente aceitável.

Todos os instantes...
Findam em mim.

Deveria ter escrito isto, ontem,
mas estou escrevendo, hoje,
pois, amanhã, serei ontem outra vez.

E, isso também me parece estúpido e vazio.

Talvez, tenha mesmo escrito isto ontem...

Todos os meus instantes, findam,
fora do tempo.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Olho ao redor ,
quantos dias passaram?

Todas as horas ainda dormem,
e ,despertam em mim.

Há algum tempo que não sonho,
e isso fica mais confuso a cada dia...

Vejo a claridade:
pensamentos tão caóticos,
se entrelaçando no meu consciente...

As imagens dançam,
cada vez mais rápido,
permeando a minha sanidade.

Sou uma abstração,
cheia de pequenos detalhes insignificantes,
que vão se desenhando dentro e fora dos meus olhos.

E,isso é tão atraente,
cada pulsar do meu coração,
que me arde e sufoca,

Pequenas irrelevâncias rabiscadas,
dentro e fora de mim mesma.

E o que sei de mim, afinal?
Muito pouco, ou, quase nada...

E, o que há pra saber?

...

Só sei que não durmo,
mesmo, quando durmo...

As olheiras me parecem mais fundas agora.

...Irrelevante; simplesmente; irrelevante.

Tenho sono,
e,ponto.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Dois pés esquerdos

Você tem ainda um pouquinho de ginga?
Então convide-se para uma voltinha em si mesmo:

Não ,não é certo tudo isso,
você estará amanhã,
de joelhos e implorando.

Mas tudo bem...

Você é esperto ?
Sim;claro que é ...

O salão está cheio,
de pequenos vazios,
e eles gargalham,
te vendo partir,
sem o seu par,
com as mãos suadas,
e tropeçando nos próprios pés.

Você nunca soube dançar, não é mesmo?
Também nunca se importou.

Que dancem, que dancem...

Amanhã você vai olhar pela janela,
sem ter o que dizer, mais uma vez...

Tudo é tão previsível e chato,
na sua cidade e na minha...

Há uma festa rolando, aqui,
e ,eu  teria te convidado para dançar.

Mas,você está acompanhado de uma bela garota,
e ela sorri...

Bem, eu estou aqui sem ninguém, mas ele me sorri também.
Acho que vou tirá-lo para dançar agora.

Dizem, por ai, que você é um bom dançarino,
e,que nunca erra os passos, ou pisa nos pés.

Mas você pisou nos meus,
E tanto faz...
Eu nunca soube dançar, e não vou tentar aprender agora.

Que dancem,que dancem...

Tenho dois pés esquerdos.
E,os meus sapatos estão meio gastos, agora,
mas,eu ainda tenho um pouco de ginga,afinal.

...Será que alguém me viu tropeçar?

Que dancem,que dancem...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Entre o nada e o eu

Cá estou, eu, outra vez,
entre folhas e silêncios,
que me devoram.

Olhando de longe, o que ainda me restava de orgulho,
esparramando-se,assim,
sem brilho,
dor ou ardor,em mim.

Meu peito pulsa displicentemente,
marcado pelos meus descompassos.

E,não ,que eu tenha muito o que dizer...
E,talvez seja esse pouco o que me sufoca mais.

Eu pago as contas pelo que sou,
nem mais ,nem menos.

É excesso de egoísmo eu sei...

Mas, coloco o meu sorriso, mais cínico no rosto,
só esperando que alguém perceba o tamanho da minha ilusão:
Sou uma esfinge sem mistérios,
e, talvez seja, esse,o meu maior segredo...

E,sabe,apesar de todo tédio e confusão,
que me ardem os sentidos,
não mudaria uma vírgula, sequer ,do que escrevi em mim.

...Isso tudo sou eu.

Não;não é o vazio,afinal de contas,
é o excesso de mim mesma,
o que, mais, me perturba.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Eu não tenho mais o que dizer,
gastei palavras,
dentro e fora da voz,
e permito-me agora, algum, silêncio.

Talvez, até, mais de um.

Se fosse capaz,
silenciaria, também, meus pensamentos,
e sufocaria cada zunido de sentimento,
que ainda escuto em mim..

Mas, existe, ainda, um pouco de racionalidade aqui, afinal.

Vivo de pequenos respiros,
tateando  a minha alma  por frestas, 
nem tão claras,nem tão escuras,
buscando qualquer resquício de claridade em nós.

...Acabo com náuseas de mim mesma,

A incoerência me é mesmo,
muito, mais, atrativa.

E,não que me importe, com isso, também...

Mas,por hora, vamos apenas,
nos permitir um pouco de silêncio ,ok?


sábado, 19 de fevereiro de 2011

21:08

Vamos tirar um pouco de claridade,
dessa escuridão; que se faz dentro;
das minhas inquietações.

Sim,por favor, façamos isso.

Tenho dormido pouco,
e me alimentado pior.

Oras,e quem se importa? 

Carreguei o meu révolver 
de balas feitas de mim mesma,
e, vou atirar(-me) daqui;
em mim.

Devo me abaixar?

Não; deve levantar-se,
e acompanhar-me.

E por onde vamos?

Por entre os meus pensamentos,
confusões,arrependimentos,
incoerências,
e tudo o mais
que me(a)tirar,
o sono.

Pois,sim,façamos isso,por favor.

Devo atirar,então,

Quem sabe ,depois,
eu consiga respirar(-me) melhor.

Ainda tenho um pouco de fé,em mim,afinal...

                BUM!!!

Atirei;
palavra;que atirei(-me)!


Amanhã, eu limpo os restos...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

...

Tenho horas em mim,
que se esparramam entre silêncios.
Não sei por que, mas, as minhas abstrações,
me parecem mais claras no escuro.

Tenho inspirado lentamente,
a minha falta de ar,
E isso é tão viciante e confuso...

Há qualquer coisa de estranho,
hospedada no incômodo da minha consciência,
que me obriga a preencher vazios com palavras.

Há tantos pontos soltos se encontrando em mim...
Todos os traços do que eu não fui,
alinhados,
nos desalinhos do que sou.

E os dias que passo em mim,
são cada vez mais raros.

Tenho uma infinidade de ausências,
se apresentando  nos meus sentidos...

Acontece, que me vejo melhor quando não estou em mim.

E,isso é meio patético...

Meu Eu lírico é, mesmo, muito familiar e histérico.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sou absurda

Eu vivo dentro de mim mesma, 
em uma mente cheia de espaços em branco,
que se desenham nos meus pensamentos.
Em meio a um fluxo constante e sufocante,
que me inventa  devaneios diários.

Vejo as  cores ofuscadas do meu  estrabismo:
o mundo de cores apagadas,
imagens borrando a minha percepção...

Meus olhos fitos no vazio,
distorcem-se em  imagens que não sei se vejo,
ou  invento.

Meu peito aberto,
é abrigo constante de coisa nenhuma.
Meu coração é como uma folha em branco ,
que alguém arranca e amassa antes mesmo de preencher... E,isso nem me incomoda mais.

O vazio bate, quieto, no meu peito ,
e,eu, o deixo entrar; sem cobrar-lhe a senha.
O resto não.

Construo coragens,
enquanto  medos me corroem e desconstroem,
são,como as cicatrizes,
que se fecham,
enquanto cuido de abrir(-me) novas feridas,
só para ter o que cutucar durante o tédio.
E isso,nem me parece tão ruim assim.

Mas,às vezes me assusto,
com a minha própria indiferença.
Mas, ela, também me é indiferente...

... Sou irrelevância,afinal.

Os meus pés caminham,
pelo chão,
em vão, ou não...
E, eu, caminharia mesmo que não os tivesse:
Os pés e o chão,
dentro do vão que é sentir-se vivo, ou não,

Tenho uma fé profunda e clara,
em tudo que não creio.
... Acho que tenho lido Nietzsche demais.

Tenho amigos,
que se encontram, e se resumem,
em folhas de papel...

Tenho um gosto, muito, apurado para o nada.
E, isso é sempre muito mais do que  preciso...
...Tenho lido, e sido, Pessoa demais.

E,amanhã,
quando abrir os olhos,
limparei as remelas; simplesmente; limparei.

Eu sei, isso é absurdo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Devaneio abstrato # 2

     Não existem estradas seguras,
                                  apenas estradas,
            e 

                             todas elas,
                                     levam
  a 
                     VOCÊ,

Há tantas
escolhas,
e todas elas trazem,
inevitavelmente,
consequências,
perigos,
e atrativos.                                       
                                                        
                         "O mesmo ar que dá vida,te esvaziará o peito,
                                                e te preencherá do que é." 


Há sempre 
    algo
 querendo
  f
                 u
                                g
                                      i
                                                  r


  querendo  e
                          s
                             c
                                a
                                    p
                                      a
                                             r ,  e se prender,
                                                    enfim.
         
                                                     
                                       
                                                                "Existem tantas possibilidades, 
                                     universos inteiros que despertam em você."


O amanhecer é sempre tão raro,                      
e tão incerto ,
assim,como são incertas todas as outras coisas em nós,

E a nossa filosofia,
apesar de todos os seus cabelos brancos,
é; ainda; tão criança, e tão tola.

Mas,é que o vazio,
é sempre tão cheio de si,
 que te entorpece...

           Mas, o mesmo medo que te detém,

pode  ensinar   a      e  r-   s
                m    o   v               e.
               
                   
                    Queres 
                                nas
                                    cer?

           Pois bem,
                                 
                          
             d
                       e
                                 s
                             t
                         r
                                   u                
                       
                               a         -    se.


                                         
                                   invente,



                                     re,
             

                 in
                     v
                           e
                     t
                          t e-
    
                                      se.

                  crie,
              
                            re
                                 crie-
                                           se,
                                                                     a-
                                                            u
                                                      r
                                                t
                                           s           
                                n                      
                           o                                     s
                C                                                      e

                                            
                   
                                RE
                                      CONSTRUA.
                               

         aprenda 
                          a
                                      se
                                 
                             construir e;
                                          eventualmente;
                             
                            
                          des
                                 c
                                      o 
                                   n       
                                           s
                                        t
                              r
                                 u
                                    ir.

               Para;assim;
                                    en
                                        fim,    poder

                                             nas
                                                      cer.
                       Amanhecer
                                       ás!!

                Pois,sim,
                                   
                                           " O sol,nasce,
                                    enquanto morre,
                                       escurece,e amanhece..."


                              Adormeça,
                                      e   amanheça ,

                                         reconheça-
                                                   se,
                                 enfim,
                                          em  
                                              si.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cartas para ninguém

#12- Minha dose niilista diária.

Lugar Nenhum, Entre o vazio e alma, 14 de Fevereiro de 2011

Como sempre, eu não tenho muito que lhe dizer hoje.
E na verdade sinto que estou me repetindo,

Todos os meus dias me parecem iguais: banais e um pouco inúteis.
E não há razão nenhuma que explique essa sensação de vazio que me invade de repente. 

Sinto as tardes passando, e simplesmente passando, sem deixar qualquer resquício em mim, a não ser, é claro, esse tédio, que nunca se esvai.

O sol me pareceu um pouco mais frio esta manhã, e caminhar já não teve o mesmo gosto que antes... E eu nem, ao menos, entendo o porquê disso...

Estive relendo alguns versos antigos; revendo os meus passos; percebo que algo se perdeu dentro dessas linhas.

E talvez, eu tenha, mesmo, gastado tantas folhas em vão...

Tenho me sentido,como se estivesse, nauseada... Tudo o que me chega aos sentidos, parece, mesmo, muito insípido.
E, isso, me é irrelevante, também.

Afinal, se as linhas estão todas tortas,
do que me serveria  alinhar?...

...Escrevê-las, também, já não tem o mesmo gosto.

E, deve ser só melancolia, eu sei... Mas, isso tudo, é tão desgastante, abstrato e inútil.

Esta carta também é... E, eu, só queria que não fosse.

 Até mais.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      
                                                                                                                                                                                                                     Atenciosamente,
                                                                                            ...