segunda-feira, 11 de julho de 2011

Lara

Tinha os cotovelos apoiados sobre a mesa e um maço de cigarros pela metade.Ao lado uns poucos livros e um pacote vazio de biscoitos.Não era muito... Mas não se importava.Dividia o quarto em uma pensão barata no centro da cidade.
Não era muito bonita ou inteligente,mas se sentia satisfeita.O emprego de balconista não era aquele com o qual sonhava,mas pagava suas contas,e ainda sobrava um pouco...

Naquela tarde estava de folga e entediada.O dinheiro que tinha na carteira dava apenas para a condução do dia seguinte,e talvez para um café gelado na padaria...

Não tinha o que pensar,sonhava acordada com o dia de pagamento. Não restaria muito depois de pagar a pensão,mas já planejava uma viagem até a praia. Ver o mar, sentir os pés tocando a areia... Setia-se mais leve só de pensar nisso. E ela pensava. Mas só pensava. Viagens , roupas, um apartamento, faculdade... Qualquer sonho que a fizesse abrir os olhos  pela manhã, levantar da cama e enfrentar a rua. "Abrir os olhos e enfrentar o mundo... É poético... Meio estúpido." Resmungou enquanto acendia um cigarro.

Soltando a fumaça olhou para o quarto e a sujeira ao redor... 

Levava uma vidinha chata...Tão poética e meio estúpida como qualquer outra.

Tinha os cotovelos apoiados sobre a mesa e um maço de cigarros pela metade... Fumava e tócia,apenas isso.

4 comentários:

  1. Realmente... mas penso que a parte triste desta, em suma, é o maço pela metade, a metade seria o começo do fim.

    Continuo a gostar do que você escreve, já vi que não tem mais volta.

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  2. De repente, nos vemos nesta situação, cotidiano, vidinha mais ou menos, esperança quase sempre morta no primeiro suspirar, entregar-se é a maneira mais fácil, difícil é a decisão.

    Grande Abraço.
    Bons Ventos!

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  3. Esse post me transmitiu uma sensação de tédio, de cansaço da vida e desesperança e entorpecimento.
    Tenho uma tendência a escrever esse tipo de coisa, mas atualmente tenho evitado matar minhas personagens.

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  4. A desesperança do amanhã é a desesperança do amanhã. Os cigarros são os cigarros e um futuro não esperado é um futuro não esperado. Ela quis isso pra ela.

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