terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A vida segue caminhando lentamente, 
com os mesmos passos to
                       r
                         t
                        o 
                       s  de sempre.

Enquanto eu apenas gasto, à toa, 
um dia,
após o outro.

E não há o que eu queira dizer por agora...

... Já lhe contei que eu amo o som que faz o silêncio?

domingo, 12 de fevereiro de 2012

eu adoro a chuva,

ela tem uma melodia suave  e simples de se escutar,
quando você se propõem a escutar...

todas as coisas deveriam ser simples e suaves assim.

mas a vida só pode funcionar, dentro de um certo caos, 
que na maior parte do tempo,
é quase imperceptível para a maioria de nós.

o mundo é um quadro,
surrealista e inacabado, 

que não se preocupa em fazer o menor sentindo, 
e talvez,
realmente não o faça...

e não que isso seja bom ou ruim,
é apenas assim, e ponto.

e você pode esbravejar, gritar ou até mesmo chorar,
não fará diferença alguma para ninguém...

o mundo permanecerá gastando seu tempo lentamente,

perdido em um equilíbrio caótico,
ou sútil demais,
para que você possa percebê-lo. 

e isso tudo, pouco ou nada importa.

eu falava da chuva... 

é fácil escutá-la,
quando você se propõem a isso...

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Meio-dia

Era quase meio-dia, e enquanto ele dividia com seu cão, um pedaço de pão amanhecido, contemplava um céu vermelho sangue que lhe fazia arder a cabeça, sentado na esquina de uma rua qualquer.

Pessoas passavam por ele, iam e vinham sempre tão iguais e tão banais...

Mas ele não se preocupava muito com elas, se importava mais com o pão que comia, e em encontrar uma boa sombra para dividir com o seu cão.


Ele se lembrava das tardes que passava na biblioteca, não sabia ler, mas adorava o cheiro dos livros na estante. 

Ele sentia cada palavra, só de passar os dedos pelas páginas, e de algum modo ele sabia que sua vida era mais poética do que qualquer livro poderia ser.

Ele tinha certo prazer em observar as pessoas ao redor, que passavam  sem tempo para notá-lo, ocupadas que estavam com suas próprias  vidas...

Mas agora ele se limitava a acariciar os pelos de seu cachorro calmamente como se nada mais importasse. Talvez fosse isso mesmo. Nada mais lhe importava, e já fazia algum tempo que era assim.

Passava os dias nas ruas, quase sempre sentado em alguma esquina.

Ao cair da tarde ele se levantava e ia vasculhar comida nas lixeiras dos restaurantes e lanchonetes, e as vezes recolhia latinhas e papelão para vender...

Ele era invisível para o resto do mundo, assim como a maioria das pessoas são.

Mas diferente da maioria delas, ele não mendigava dinheiro ou atenção, apenas ia sorvendo seus dias um a um, sem grandes preocupações ou lamentações.
  
Era meio-dia agora, e ele ainda dividia um pedaço de pão amanhecido com seu cão, enquanto esperava em silêncio, que a noite chegasse para ver o céu coberto de estrelas e apenas adormecer olhando para elas...

Ele era feliz. Mas feliz que qualquer uma daquelas  pessoas, que passavam por ele todos os dias, poderia dizer que era. 

E, enquanto a manhã ia se dissolvendo, calmamente diante dos seus olhos grades e cansados, ele apenas podia suspeitar da própria felicidade...

"O dia fica mais bonito assim". 

Pensava ele enquanto acariciava seu cachorro, ao sol do meio-dia.