segunda-feira, 26 de março de 2012

esboço de um outro poema

tenho despejadas em mim,
todas as sensações do mundo,

e todas as sensações  do mundo, são nada.

espera-me do lado de fora da alma,
um vazio do tamanho do tempo... tempo pequeno.

meu peito é uma casa vazia,
sem janelas, teto ou chão.

tenho despejadas em mim ...

mas o que é isto que chamam de alma?

espera-me do lado de fora da janela,
o tempo... ou nada.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Aprendizes de deus

28 de Julho de 2010
  (Mais ou menos reeditado)


Somos crianças buscando explorar o que no fundo já sabemos inexplorável,

Tentando tornar vivo aquilo que já nasceu morto,

Tentando entender aquilo que não foi criando para se entendido,

Tentando transcender o que não requer transcendência nenhuma,

Buscando a genialidade nos braços da mediocridade,

Buscando o tudo dentro do nada,

Tentando tornar papável o impalpável,

Tentado encontrar respostas duvidando,

Tentando fazer luz , 
aquilo que se fez,  para ser escuridão.

Questionado o inquestionável,

Buscando o material com seres imateriais,


Criando realidades paralelas, que substituam a que julgamos como irreal,
ou que julgamos como de outro,
mesmo sabendo que é nosso, 
e só nosso.

Tentando tornar real o irreal,


Em uma busca insana,
criando epopéias particulares, e tentando matar quimeras,
que apesar de só povoarem a nossa imaginação,
São-nos muito mais fascinantes do que qualquer criatura viva poderia ser,

... Pois nada é tão presente quanto uma ausência,
Nenhum amor é tão amado quanto o que ainda não é conhecido,

Somos apenas crianças...

Tentando enxergar sem olhar,

Tentando racionalizar o irracional
e tocar com os dedos o imaterial.

Tentado preencher um vazio,
sem saber que o vazio já é, por si só, um preenchimento;
do mesmo modo que a solidão é sua própria companheira.

Somos apenas crianças tentado encontrar-se em meio ao próprio caos,

Tentando conhecer-se, sem se mostrar,

Tentando descobrir o que é vivo matando-se,

Somos apenas crianças insensatas,
criando monstros invisíveis,
que acabarão por matar seus criadores.

Mas como somos apenas criaturas imaturas e insensatas, 
até essa morte,
nos parecerá eternamente bela...

Somos apenas crianças brincando de deus, 
sem saber que não há nada mais divino,
do que ser apenas,
humano.

sábado, 10 de março de 2012

pra evaporar

que bom eu não querer ir,
hoje,
a lugar algum,

que bom eu não me importar,
com o teu caminhar,

que bom eu não saber sentir,
assim, nada além de mim,
há de me importar,

que bom eu não saber cantar,
pra não perder-te pelo ar,

que bom que deve  ser,
esquecer assim de mim,
poder evaporar...

que bom que dever ser,
poder mentir assim,

ignorar o tempo,
e se deixar levar,
leve pelo ar...

vermelho

a vida segue caótica como sempre,
irresponsável,
e
imperdoável como nunca,

enquanto os carros vão vencendo, calmante, o asfalto quente,
pessoas reclamam, de pessoas que reclamam,
tocam  suas buzinas;
que gritam, 
e gemem,

choram e emudecem,
e  esquecem.

a vida é muito mais, 
perigosa,
que um sinal de transito em vermelho.

por isso todas elas,
seguem,
atravessando-se...

quarta-feira, 7 de março de 2012

rascunho de nada

os teus limites,
medos,
segredos,

a tua respiração pesada,
os batimentos do teu peito,
tão lentos...

teus passos tortos,
bifurcando
pela  estrada,

tudo muito além do que eu poderia entender...

os meus limites,
medos,
segredos...

a minha respiração, 
os batimentos 
do meu coração, descompassados,
batendo fora do ritmo,

meus passos
bifurcando,
fora da estrada, 

tudo muito além do que você poderia enxergar...

todos os caminhos,  perdidos,
diferentes,
e talvez...
igualmente banais.