segunda-feira, 30 de abril de 2012

lá fora as pessoas passam,
tão alheias a tudo,
perdidas nos seu cansaços, 

esfregando as mãos com força por causa do tempo frio,
procurando qualquer calor, na ponta dos próprios dedos...

mas aqui dentro faz um tempo ameno,
e não me importo tanto assim com as pessoas lá fora...

talvez eu seja egoísta demais pra isso,
e talvez não faça diferença nenhuma...

lá fora faz frio,
e as pessoas congelam até morrer,

eu sei que sim...

deus...
elas congelariam mesmo aqui dentro.

morreriam lentamente,
cuidadosamente,
congelando... congeladas...

eu sei que sim.

lá fora as pessoas congelam sozinhas,
alheias a tudo...

e aqui dentro... eu congelo sozinha também.

deus...
eu congelo também.

eu sei que sim...

e isso não faz diferença nenhuma,
para nenhuma delas.

eu sei que não...

sábado, 28 de abril de 2012

espero encher-me o copo de alma,
alma é coisa espessa,
que quando derrama não se pode secar...

espero encher-me o copo do oco de mim,

oco que ,
enche e esvazia,
preenche a folha,
peito 
e nada... nada mais que se possa dizer com tamanha indiferença...

espero encher-me o copo,
dele mesmo,
e por ele,
existir e ir...

espero encher-me o copo de alma,
esvaziar,
existir e ir...

alma é cosia espessa,
que me enche e esvazia...

espero quebrar-me o copo... e a alma?

terça-feira, 24 de abril de 2012

lama...

l                  a
 a          m      m
  m    l                 a
     a                                c
                                            o    
                                                 r 
                                                      r
                                                      e
                                                          s
                                                       c   o
                                                             r
                                                         r    e    e      
                                                                           m o r r e...?  a
                                                                                                 l
                                                                                             m  a
                                                                                       l   a m a
                                                                                              a    ...               
                                                                                                      c
                                                                                                  o    
                                                                                             r 
                                                                                        r
                                                                                  e
                                                                                        s
                                                                                    c   o
                                                                                     r
                                                                                     r  
                                                                                       e  ,  
                                                                                            e  ...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

eu sempre escolho as palavras erradas,
não que exitam palavras certas afinal de contas,

se quer existem escolhas certas...

existem apenas escolhas, e até isso é questionável.

eu sou cheia de medos,
cheia de vícios,
pequenos e grandes defeitos.

sou cheia de mim,
até a tampa.
e o que sobra, me escorre e vira isso...

seja lá o que isso for. só sei que poesia não é...

é mais pobre e mais ralo, e nada prático,
e muito menos poético,
me faltam letras e me sobram frases prontas.

e que frase não está pronta?

que palavra ainda não está pronta dentro de mim?

todas elas,
e nenhuma delas...

tudo o que eu sinto 
tudo o que eu não sinto... é o mesmo.

tudo o que eu quero,
tudo o que eu não quero ... é o mesmo

é confuso e estranho demais para definir.

oras, e quem precisa de qualquer definição?

eu não!

mas às vezes... eu queria.... ser menos indefinível e mais... fácil? nem tanto.

no fundo eu sei.

só queria que estivesse aqui, ponto.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

(poesia inacabada)


Todas as coisas são efêmeras,
e algumas são,
irresponsavelmente, muito breves.

Tão curtas,
quanto só um suspiro deveria ser.

Mas nem tudo, é tão vão assim...

Embora papéis, amassem e se rasguem, 
alguns versos não podem ir, do peito ao lixo.

... Sentimentos não são, tão descartáveis assim.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

não me cobra, e eu não o cobro,
ao menos,
não mais que o necessário.

mas o que é necessário afinal de contas?...

me diz, em tom de desafio, para que eu não escreva sobre coisas óbvias,
mas obviamente, eu não sei fazer isso...

tudo me parece muito óbvio nesse mundo, 

eu também sou muita óbvia.

minhas intenções, 
escancaradas bem na minha cara, 
expostas como se fossem uma janela aberta...

sou uma janela aberta,
para o tédio e para  nada...

não; sou uma janela aberta para a vida e para tudo...

não... ainda não está certo!

sou uma janela aberta... para o quê?

não sei dizer... talvez seja tão óbvio...

que de tão óbvio só me reste mesmo escrever.

pego o celular e vejo as horas, 21:55 ainda... 

é tão óbvio isso?...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

No mesmo cômodo

Não entendo o que seja amor,
se é sútil ou caótico demais para caber em qualquer definição...

mas indefinidamente assim, não me importaria em ficar,
na pontas dos pés,
só para te alcançar os braços, e abraços...

aprender todas as línguas do mundo,
até poder prender a tua,
na minha boca, em qualquer beijo que eu te roube,

esquentaria o teu coração
da hora do café até o jantar,

encheria o copo do teu uísque,
e ficaria te escutando recitar um poema, do Neruda ou outro qualquer...

escreveria uma canção pro teu violão, 
não faz diferença,  se nele,  tem o meu nome ou não,

e você pode até me dizer, que amanhã vai fazer um sol quente pra porra,
e que você não vem,
porque eu ficaria te esperando do mesmo jeito...

... minha poesia fica  muito rala sem a tua.

domingo, 8 de abril de 2012

Legal

*3

Tem certas coisas que eu nunca vou aprender a fazer direito,
por mais que eu queira aprender...

Eu sou limitada
e entediada
e entediante demais...

E no geral isso até que é bem tranquilo... sempre fui uma ótima companhia pra mim mesma.

O problema só aparece quando você precisa,
ou quer ser,
companhia para outras pessoas...

Quando era criança inventava historias,
e as contava em voz alta só  pra mim.

Fui uma criança bem estranha, estranha demais eu acho... Me mandaram ao psicólogo.

Mas não lembro bem o que a psicóloga falou ao meu respeito,
acho que nem voltei lá depois da segunda sessão,

Lembro de ter feitos desenhos idiotas,
e falado sobre coisas idiotas,
nada de relevante... Não sei se ela notou, mas não fui nem um pouco sincera com ela.

Deve ter notado, eu minto muito mal...

Ela me perguntou qualquer coisa sobre eu não ser sociável, ou não querer ser sociável...

Deve ter uma diferença entre ser e querer ser alguma coisa. mas eu nunca entendi muito bem qual é.

Eu marco compromissos e simplesmente não apareço,
passo dias trancada sozinha,
e mal abro a boca se alguém não abrir a sua  primeiro...

Sou um caso perdido. Perdido... E escrever não tem me ajudado muito nisso.

Urfh...

Queria mesmo era ser um papagaio.

Mentira queria ser uma pedra.

Ninguém espera que elas falem 
ou façam, 
qualquer coisa. Dever ser mais fácil assim. Ahãm deve ser sim...

Nos encontremos onde haja caos

Ela sai, fuma um cigarro fitando a linha do horizonte, sem dizer palavra alguma. É um silencio meio frio, afinal de contas... Cigarros não te aquecem a boca tanto assim.

Pensava sobre isso de ser vitima ou algoz... Mas que besteira tudo isso... Ninguém é tão definível assim, para se enquadrar em uma só categoria. Bom ou ruim, vitimas ou algozes... Os caras que andam de skate na rua  fumando baseado, crentes rezando nas igrejas, poetas, políticos, e todo o resto da gente que tem por ai.. Todos tão diferentes uns dos outros, são o que?

Ela pensava asneira enquanto tragava outro cigarro calmante, enquanto não via o tempo  que se ia gastando em cada tragada do cigarro e pensamento confuso, que sua cabeça igualmente confusa e atrapalhada, ia produzindo à toa.

Ela pensava no namorado poeta a quilômetros de distancia , nas contas, no trabalho, nas músicas e em comprar fones de ouvido, amor e outras patifarias do gênero...

Mais um cigarro, e outro e mais outro... "A vida é tão caótica e nós somos imperdoavelmente breves e estranhos demais". "Como eu penso besteira meu deus..." Outro e outro cigarro... "Nem gosto dessa fumaça...”

Ela fumava um cigarro escondida debaixo da escada, esperando alguém que não chegava, esperando um pouco de calma, carinho, talvez assim  largasse os cigarros o tédio e a insegurança...

Besteira... Ela levantou-se e foi até a padaria, esvaziará o maço...

"A vida é mesmo um caos...” Pensou descendo sozinha a rua da padaria.
Abril de 2012
Lucas,

Nunca escrevi cartas, e não sei ao certo o que quero escrever nesta aqui... É provável que eu apenas vá emendando uma palavra na outra, e ela acabe se tornando algo como uma concha de retalhos; confusa e meio melosa.

Não entendo muito bem o que seja isso de escrever.  Às vezes acho que não há qualquer utilidade em fazê-lo, mas acho que a maioria das coisas não possui nenhuma utilidade também...
A vida me parece tão caótica e incerta... E embora não tenha muita cosia acontecendo, ao menos por fora, por dentro me sinto  confusa e inadequada.

Tenho a impressão de que não me adapto muito bem a ideia que a maioria das pessoas faz da vida...

A maioria de nós tem uma vida morna, e se contenta, e até consegue encontrar algum tipo de felicidade nessas vidas mornas...  Mas isso me parece um tanto medíocre... Acordar trabalhar, estudar, comer, assistir a novela das oito, dormir... Reiniciar o ciclo... Parece que falta algo...

Ah... Nem sei direito o que eu estou dizendo...

Você já teve um sonho, algo que quisesse mais que qualquer outra coisa?...

 Às vezes penso que as pessoas que se contentam com suas vidinhas mornas nunca sonham. Deitam suas cabeças em seus travesseiros, igualmente mornos, para dormir seus corpos mornos... E simplesmente não sonham. Ou talvez elas sonhem muito mais do que eu imagine...

Toda pessoa tem tanta beleza dentro de si, tanta vitalidade, mas parece que a maioria não faz ideia disso. 

Passam suas vidas adormecidas dentro delas mesmas... Eu me sinto adormecida também. E ter consciência desse tipo de coisas não ajuda em nada, às vezes penso que melhor seria não ter consciência nenhuma, de coisa alguma. Seria mas leve, isso de ter de carregar a si mesmo, se fosse assim.

A consciência é qualquer coisa semelhante a um verme, ou há uma infecção que vai se alastrando pouco à pouco pela tua corrente sanguínea, até  chegar ao teu coração e arrebentar-te os nervos.

Belos pontos de interrogação temos nós em nossa belas cabeças... Belos pontos de exclamações temos nós exclamando em nossos peitos... Belos pontos finais, por fim, sem fim?... Somos erros gramaticais incorrigíveis. Mas gramatica correta não serve para muita coisa mesmo então... Erre, erre, erre até a última linha, carta ou verso.

Você será um poeta incrível se perceber que poesia de maneira alguma se limita a simples palavras.
A vida de qualquer pessoa é muito mais poética que qualquer soneto jamais será.

Queria mostrar-lhe os meus cadernos, eles tem despejadas em suas folhas tanta coisa. A maioria, já não lembro mais o que significa...  Mais ainda sei que significam algo... E eu queria te mostrar. Apenas te mostrar, é um pedaço de mim que ninguém nunca viu...

E eu menti sobre nunca ter escrito cartas. Escrevi muitas cartas e as enderecei aos meus sentimentos... Isso que são os meus poemas, cartas dos meus sentidos.

São o registro mais honesto ou mais falso de mim?

Penso; que são as duas coisas... Poetas não tem compromisso com a verdade, embora tenham mais dela do que a maioria das pessoas...

Bom é isso, por hora...

      Mirtes Rodrigues 

sábado, 7 de abril de 2012

março de 2012


vocês falam tanto em amor, e com tanta paixão,
só para esquecer o fato, 
de que não sabem nada a respeito... 

e isso é tão natural, 
e um tanto previsível também.

esposas,
maridos, e seus,
respectivos amantes,
afetos, e
sexos... é poeticamente incorreto,
e prazerosamente banal;

a maioria dos caras só querem sexo,
a maioria da mulheres... sabe-se lá o que querem , esperam, reprimem e amam...

é quase como um poema,
que às vezes se lê por engano,
e enganado fica,
até que se chega a sua última estrofe... 

acaba morno e tedioso,
como uma tarde qualquer de um domingo.

versos não escritos,
fotografias não tiradas... e uma porção de outras lacunas...

o que as pode preencher?

álcool e cigarros?...

talvez só um pouco mais de tempo... e um pouco menos de tédio.