sexta-feira, 29 de junho de 2012

Junho

tem qualquer coisa muita bonita,
nisso,
de sermos sozinhos assim.

e tem qualquer coisa de muito solitário em toda companhia...

eu sigo andando com os meus passos tortos,
cambaleando devagar, 
a vagar,
por qualquer caminho,  à toa,
eu vou a pé,
sem fé...

no meu peito mora 
silencio,
ecoa vazio, vazio...

é triste, ser triste assim,
sim, sim,
eu sei, eu sei...

sorrio de canto,
e canto,
quase sem mover o músculo da face,

e pra que tanta alteração,
tudo permanece sempre tão  igual...

a mesma soma tola,
de um mais um,
quem sabe quanto dá...

quem sabe quando dá,
pra sorrir aberto,
com 32 dentes fortes,
mesmo no amarelo costumeiro...

tem pressa não
abre a boca e cala,
e canta,

abre a boca ,
e
vai,
e vou...

sabe deus pra que,
sei eu pra que de deus...

só vou, 
só vou...

catar a vida,
verso 
e estrela... 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Letreiro cor de laranja

Eu fico no meu lugar de sempre,
de peito aberto, e com os olhos bem apertados,
tentando ler de longe, o nome no letreiro laranja do ônibus,

E eu sei que ando de saco cheio de tudo,
e já faz algum tempo,
mas  isso nem chega a ser novidade pra ninguém...

As pessoas todas parecem sempre tão corretas,
e certas de tudo e todos,
do que são,  e do que as outras deveriam ser, mas não são...

E eu já não sei mais nada...

Mas no fundo eu sinto, que eu apenas sou  incompetente demais pra essa vida,
mas eu nem ligo tanto assim pra isso agora...

Me deixo no ponto de ônibus balançando, 
calmamente, os meus pés no ar,

Enquanto a garoa fina vai desgrenhando, mais ainda os meus cabelos,
a minha vista ruim não me deixa ler a droga do letreiro do ônibus, 
e ele passa e eu fico...

... Pensando que deveria ter vestido outra blusa por cima dessa,

Enquanto sinto o vento frio, soprando no meus pensamentos, 
e me espalhando inteira o coração pelo ar...

E me lembro dos meus óculos terem ficado tortos,
enquanto ele não sabia muito bem onde enfiar a cara.

E me lembro de uma porção de outras coisas bobas assim...

E eu acho que ando tranquila demais,
e não sei na verdade,
como lidar com tanta tranquilidade em mim.

O ônibus chega, eu aperto os olhos,
tentando ler o nome no seu letreiro cor de  laranja, e vou... E ele  vai...

Destino: o indefinido (em letras grandes, cor de laranja).

sábado, 16 de junho de 2012

Sereno

eu vou compor uma canção,
pra tocar baixinho só no meu ouvido,
quem sabe, assim, espantar os fantasma do meu quarto...

... e o tempo frio,
que se anuncia em tempestade,
vem  hoje não,  meu bem,

amanhã talvez,  mas hoje não,

e há de clarear,
sereno...

e há de chover também,

mas quem há de se importar com tempestade,
se mais tarde o cinza faz o sol , clarear pra lá...

vem cá,
ouvi a canção, 
que eu te escrevi,

pois no sereno do  meu peito
bate devagar,
o mesmo coração que o teu,

e sereno,
há de clarear...

enquanto os carros choram pelo asfalto,
e corujas piam pra qualquer silêncio,
e o dia segue meio claro, meio cinza,

mas há de clarear,
há de clarear,

mesmo cinza, há de clarear.

pois sim,
há de clarear,

vem cá, ouve essa canção,
que eu escrevi,  pra tocar baixinho só teu ouvido,

pois no sereno do teu peito,
bate devagar  o mesmo coração que o meu...

e o peito,  há de clarear, 
também.

há de clarear,
meu bem,
há de clarear, sereno... 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

sem tempo

tempo meu, tempo seu,
passa e passa e te ultrapassa....

passa e  passa,
eu, você... corre, corro,
e
passa .

tempo,
corre, corre... 
acerta,  atrasa,
passa.

tempo corre, corre,
escorre,
esparrama,
lava,
leva leve e  trás,
e
passa.

tempo doí,
arde, fere,
chorra, esperneia , faz manha,
cura, mata,
passa.

tempo,
gira, gira,
rodopia medo, dor, vida,
dança, canta ,
cansa,
e
passa.

tempo,
c  o  r  r  e , 
                    e
                       s
                       c
              o
                      r
                          r
                             e   se esconde, prende e solta, 
                                     e
                                        passa.
tempo corre, 
rodopia,
pia,
grita,
e cala.
e
passa.

tempo nasce,
 cRESCE e cRESCE, 
corre, 
escorre,
cansa e morre,
e
não passa,
fica.

tempo,
passa e passa...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

saudade não é uma palavra,
e sim,
um sentimento intraduzível, que o nosso português ruim,
não dá conta de fazer caber.

urfh...
de repente é só uma palavra ruim, em um dicionário velho.

e tem feito um frio tão grande por aqui,
o sol não saí,  de tão tímida que a vida anda...

e a saudade esquenta,
enquanto os meus pés só podem ficar cada vez mais frios dentro do tênis,

e  eu  brinco de acompanhar com o dedo, 
as gotas de chuva que vão escorrendo sozinhas, uma a uma,  pela janela do ônibus.

e eu me sinto, tão sozinha e fria quanto elas...

mas amanhã tem sol... dizem...