domingo, 28 de outubro de 2012

trapezista

é o trapezista em si, e não o trapézio,
o incio e o fim de toda queda
a razão
e o
pouso.

o repouso do abismo,
do qual se queira saltar,
e voar,
é o ar.

a queda lenta ou imediata é mesma,
morte,
vida,
começo
fim.

há de cair,
em si,
e só pra si.

há de voar,
em si,
e só pra si.

há de soltar-se 
do peito,

em começo,
meio
e
queda,

há de saltar-se do peito,
e voar
vida,
tempo e amor.

queda e redenção...

a derrota do trapézio,

trapezista e ar.

a vida é um trapézio;
salta.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

amarelo

gosto do cheiro da tinta,
e das folhas em branco,

dos dias claros, 

e dessas horas mornas.

faz sol,

e chove também...

as gotas escorrem pelas janelas,

as letras pelos meus dedos,

e eu, pelo peito,
me escorro também.

gosto da chuva assim, como uma garoa fina,
que vai aumentando e aumentando,

gosto do barulho dela no meu telhado...

gosto do sol assim,
começa frio,
e vai esquentando aos pouquinhos,

gosto dele batendo na minha janela no fim da tarde...

meus dias escorrem, um a um, pela janela,
feito chuva.

meu peito aquece,
chove 
e faz sol.

me escorrem pelo branco do papel,
palavras feito tinta,
a me espalhar,
e colorir.

apagar e diluir.


ir...


simplesmente ir.


escorrer pela vida,

feito gota a escorrer pelo vidro,

cantar como se fosse chuva

 a cair pelo telhado,

ir.


e simplesmente ir.

sentir o cheiro da tinta,

em brancas vidas.
faz sol,

e chove também,
só pra gente aprender a secar.

vá,


se escorrer pela vida,

feito tinta
e papel

fazer chover,

e se ensolarar.

amarelo,


feito tinta, em papel,

e no peito.

sábado, 20 de outubro de 2012

janelas

queria a vida tal como a minha janela,
aberta e serena,

os carros que cortam a estrada,

a eterna viagem rumo ao destino que eu desconheço.

me amanhece a vontade de partir de mim
ir 
e voltar,

me amanhece a vontade.

somente a vontade...

metade de tudo que eu sinto se parece muito 
com cosia nenhuma,

a outra metade...

metade nenhuma.

me encontro inteira nas minhas lacunas...

me descrevo inteira na folha em branco,
no verso por escrever e amassar.

escrever é um combate...

e ninguém sairá dessa vida perdedor ou ganhador.

sairemos,
e apenas sairemos,

sem troféus maiores, que a própria vida.

sem troféus menores, que a própria vida.

sem troféus.

queria a vida tal como a minha janela,
aberta e serena...

ver os carros passarem,

e depois passar também, e apenas passar, 

serena...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

tempo a gente tem,
pra se fazer perder ou ganhar.

e essa noite que me chega e vai,
igual...

tua alma é um mundo.

cheira a vida,
morte,
claridade
e escuridão.

nada é simples de entender ou definir.

angústia que te sobe,
embrulha no peito,
e se vomita nos versos.

nada é simples de viver.

são dias difíceis de escrever,
ver
ou sentir qualquer coisa...

qualquer coisa é rala,
e se parece com vazio,

olhos fechados ou bem abertos
me refletem o que?

há uma nostalgia em mim,
pelo que nunca foi.

passei a tarde a desenhar vazios coloridos...

passei a tarde a me escrever 
e apagar.

atoa assim, assim...

há de fazer chover,
só pro sol secar,

há de fazer morrer qualquer coisa,
pra viver um pouco 
e mais.

canta o teu silencio mais alto
e vai,

afaga o teu vazio com as  mãos
e vai,

que tempo a gente tem...

resta saber pra quê...

segunda-feira, 1 de outubro de 2012


são dias difíceis de escrever,
e ainda mais de sentir.

afundo a minha cabeça no travesseiro...

há um intervalo de consciência em mim...

há um intervalo de qualquer coisa,
no peito...

há o vazio, um buraco,
entre o peito,
eu,
e o coração...

são dias difíceis de escrever.