terça-feira, 31 de dezembro de 2013

todavia

mudam as primaveras,
invernos
e os botões.

nada nos é estático,

previsível
ou
durável.

poderia ficar confortavelmente deprimida,

girando
ao redor do meu próprio eixo.

poderia. se isso não me parecesse tão patético,


e provavelmente é.


podeira uma porção de coisas,

mas todas elas
são, fracamente, tolas.

o quarto me abafa o grito

e o respirar,

me entra mais tempo

do que vento
janela
a
dentro,

e os anos

que me vão passando
são
irritantemente confortáveis de mais...

me contorço em qualquer cólica,
ou mau humor,
nada que realmente importe escrever,

e o que importaria então?

trasbordaria um rio,
daquilo que não fiz,

trasbordaria dois rios
daquilo
que poderíamos ser...

todavia,

nada.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

em 9 linhas

a folha em branco,
toda rima,
verso
e
prosa.

é o mesmo vazio.

os domingos continuam um saco.

e eu, tão rabugenta quanto sempre...

ponto.

domingo, 15 de setembro de 2013

desmedida

(reeditado)

se dissipa e me dissipa,

o tempo 

tempo...

tempo é raso,
falho e
ilusório.

o que nos move,

dos pés 
à
cabeça,

nos

                 g
               i     r
                 a 
                           muito além dos ponteiros 
                                  de qualquer relógio...


tempo,

tempo nem existe, meu bem.

e eu não dou a minima...


a medida certa e inexata

de qualquer palavra,
é uma vertigem de silêncio e caos.

a medida que me foge pelos versos...

escrever é tão vão.

e vão...

me escorrer a alma por entre os dedos,

me escorrer
no peito...

e os versos,
pelas mãos

me silenciam
e gritam...

vertigem de silencio e caos...

o coração que me pulsa e pára,

não pára,
exato.

e é tempo também...

tempo?

só corre,

           e

e
   s
c
  o
r
  r
    e

é vertigem de relógio... só corre.

e o peito
me vai,

desmedido,
é poesia ... e só corre...

tempo.


tempo nem existe, meu bem...

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

seis de setembro

às cinco e pouco da manhã,
o sol me nasce pela janela do ônibus,

entre um balançar e outro da estrada, 
fecho e abro os olhos, sem saber direito onde estou.

talvez eu me mude pra alguma ruazinha em Pernambuco ou Minas Gerais,

tenho um amor secreto por cidades pequenas e ensolaradas,

com um ritmo de vida mais lento...

ou talvez eu nunca saía daqui,
tenho um amor secreto por essa cidade também.

o que somos anda tão desgastado em mim,
me desbota de pouco em pouco,
qualquer coisa que me há dentro do peito.

aquilo que percebo,
e entendo como "eu",
já me ultrapassa e muito, a angústia e o verso....

e o sentido que me faz,
me  
      e
          s
        c
              o
                    r
                         r  
                  e             

entre o medo e a certeza

desse nada,
que tudo somos... somos.


velhos livros empoeirados de  tantas psicologias e filosofias baratas,
me devoram e vomitam 
entre um self e outro...

às cinco e pouco da manhã,
entre um balançar e outro da estrada,
e todo o sol que me nasce pela janela... 

fecho e abro os olhos.

o que ainda ei de ser?

talvez eu apenas me mude pra Pernambuco ou Minas Gerais...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

o que tenho de mim,
se não eu mesma?

e todos esses pontos,
exclamados,
me interrogando nos miolos..

poesia burra e rala,
que me escorre pelos dedos, garganta e peito...

a calçada lá fora já não é mesma,
os atendentes da padaria, a fachada da casa da esquina, 
e até os caixas do supermercado, já não são os mesmos...

os postes e suas lâmpadas incandescentes,
ligadas durante o dia,
os ônibus que passam pela rua,

sequer os cães que me rasgam o lixo no quintal, são mais os mesmo...

o que tenho de mim,
se não eu mesma?

a comida congelada na geladeira,
o trinco enferrujado da porta,
os livros e a poeira da mesa,

a janela que dá para o muro...

fragmento sobre fragmento,

do nada, que me é tudo em mim.

o que temos pra possuir fora das paredes de nós?

o tempo que se esvai...

o agora,
sempre e sempre,

só agora.

a calçada lá fora...

o que tenho de mim,
se não eu mesma?

o concreto e o agora,
sempre e sempre,

e só agora.

todo resto é transitório.

e até os caixas do supermercado já não são os mesmos.

mas eu tô com preguiça  demais, pra  fingir que me importo...

terça-feira, 16 de julho de 2013

estou a olhar para o teto,
ou o teto está a olhar para mim?

não ei de sabe-lo...

certo é, que estou a fitar qualquer coisa
que há acima da cabeça.

acima...

quem iria notar se nos virassem  o mundo 

ao avesso do avesso?

tudo é abismo,

tudo é chão,

dos olhos 
aos
pés,

nossa cabeça,
braços, 
sexos e narizes.

tudo é abismo.

o quão só nós somos?

o quanto só, nós estamos?

de que importa a largura de qualquer solidão?

tão menor ou tão maior do que qualquer coisa, 
que não nos cabe no peito.

quem iria notar se nos virassem 
o teto do mundo ao avesso?

estou a olhar o teto,
ou o teto está a olhar para mim...

tudo é...

teto 

eu.

tudo é...

o que somos.

quem sabe, o céu...

fecho os olhos,
e sonho com um teto azul tranquilo,

... como tinta que nunca descasca. 

terça-feira, 9 de julho de 2013

já que estamos velhos demais para aprender a dançar,
dancemos.

não me importo em saber,
ainda menos,
que coisa nenhuma de mim.

vamos apenas abrir as janelas
deixar que entre a luz pela casa,

não se aprende vida fora do salão de dança,

pise nos meus pés se quiser...

rodopiaremos,
e só
rodopiaremos,

solidão é só uma melodia descompassada.

amor,
medo,
e tudo o que há de ser, também há girar fora do ritmo...

giremos.

a vida é só um descompasso.

o que nos restará fora dos salões,
além da cerveja quente,
e das bitucas de cigarros jogadas, apagando-nos pelo chão?...

vamos abrir as janelas
deixar que entre a luz pela casa,

a vida é só um descompasso,
a girar-te o peito...

já que estamos velhos demais para aprender a dançar,

dancemos.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Ventana

O pedaço requentado de pizza,
o sábado por esperar...

A vida que me sopra  lá fora,
aqui dentro só esfria.

Sou feita de água,
sangue,
destempero,
reticencia,  interrogações,

E qualquer outra coisa, que na verdade  não convém muito bem.

Em algum ponto de mim,
me esqueceram as janelas abertas.

Me fugiu ou entrou, alma demais.

Não ei de saber.

Meu peito é qualquer coisa,
assim,
como um café amargo demais para apreciar. Quente ou frio.

Me dou o direito de entristecer e ser qualquer coisa em mim.

E talvez até me convenha,
abrir-me em meia dúzia de dentes amarelos.

Mas também não ei de saber.

Em algum ponto de mim,
me esqueceram as janelas abertas...

Em algum ponto,
decidi por não fechá-las mais.

Me fugiu ou entrou demais a alma em mim, afinal.

domingo, 9 de junho de 2013

caos calmo

as canecas, incessantemente, 
esquecidas no canto.

as rasuras do caderno

e na vida,

os óculos quebrados,

e as musicas que não param de tocar na minha cabeça,

os ponteiros a percorrer-me,

cada vez mais rápido, o relógio do que sou...

frente ao espelho,


o que fui?


minhas unhas pintadas de café,

meu cabelo no rosto...

tudo enfim,

cada vez mais minimo e dispensável...

me pára o tédio pela garganta,


e no peito...


a sensação de estar a enlouquecer,

sem contudo,
poder despentear os cabelos ou amassar-me a camisa...


amassei-me.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

22:35

minha garganta inflamada,
me dá um certo gosto de finitude e humanidade.

nada mais banal...

estudantes de psicologia,
filosofia, medicina,
faxineiros, 
a crente da igreja,
policias, trombadinhas e pedintes no trem...

todos nós ignoramos,
e uma hora ou outra nos inflama qualquer coisa na garganta.

e tanto faz a ideologia de merda que escolher.

você pode pensar no mundo como uma farsa,
e ignorar  a problemática de sê-la também.

não me faz diferença...

o que temos além da realidade do despertador,
das aulas chatas de terça,
balcões de lanchonete,
escolas e vielas?...

o cara que você amou ano passado,
o seu cachorro atropelado, 
os livros e arquivos no pc,
o chefe
a mulher que te vende sanduíche,

tudo isso é muito mais do que poderia ter.

não nos possuímos, a nós mesmo.

não; não possuímos. e só, nos possuímos.

e não há  amor, 
ciência,
fé ou poesia,
que nos redima do que somos.

tomo um remédio,
e escrevo...

porque não há o que redimir, afinal...

simplesmente, não há.

domingo, 26 de maio de 2013

mariposas

o que poderia eu fazer com mariposas,

o que faço sem?

mariposas…

mariposas voam.
dentro de todo o tempo,
tempo é coisa rara,
rala, 
que se devora, 
e esmaga.

mariposas não tem noção do tempo,

e tempo não é nada,
pouco menos que os ponteiros e o relógio.
pouco mais que eu,
e o resto.

peguei o livro e deixei a porta do quarto aberta,
ela dá pra rua,
não que isso importe,

nem porta, livro ou rua…
o céu vai se acinzentando,
à toa… 

poderia chover ou fazer um puta sol,
que não me faria diferença alguma,

nada faz.
mariposas…
são bonitas,
porque são bonitas,

não fazem sentindo, não fazem tempo,
não escrevem poemas
vertem lagrimas ou sorriem,

mariposas são mariposas,
porque são mariposas.

apenas mariposas. 
isso não é feio nem bonito.

não há mariposa que me entre pela porta do quarto,
só tempo que me foge pela janela.

as mariposas voaram…

domingo, 17 de março de 2013

o meu café não é tão amargo,
quanto esses versos possam fazer parecer.

não, não é.
nem eu sou.

o problema é que já adoecemos, meu amigo.

e o paladar e o peito
ficam assim,
com esse sabor de café, já a muito requentado.

e eu sempre esqueço uma xícara ao lado do computador,

tem uma aqui agora,
vazia,
me fazendo companhia desde a hora que acordei.

geralmente, é toda a companhia que eu sou capaz de suportar por aqui...

eu não sou de muita serventia pra esse tipo de gente,
que gosta de falar o tempo todo,

não sou mesmo.

choveu o dia inteiro por aqui,
faltou energia algumas vezes,

e eu passei boa parte do meu tempo,
olhando a chuva escorrer pelo vidro da janela da sala.

isso faz mais sentindo pra mim do que um milhão de palavras e pessoas fariam.

de certo que sim.

a xícara ainda está aqui,
ao lado,
e não tenho certeza mas acho que a chuva passou...

não lembro de outros dias tão tranquilos, quanto o de hoje.

só me pergunto até que ponto tanta tranquilidade,
é realmente algo frutífero pra alguém...

mentira,
nem me pergunto  isso,

só queria mesmo aprender a fazer um café menos amargo,
e a esquecer menos xícaras sozinhas na mesa.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

não sei por que diabos me apego tanto a essas coisas a essa hora da noite, mas me apego.

as frases não ditas,

e os versos jogados no lixo,
tantos e tantos versos...

tudo isso não passa de uma concha de retalhos

de meia duzia de experiencias ainda mais miúdas e pálidas do que eu mesma sou...

não sei por que escrever tanto,

se não tenho nada que dizer,

dizer é vil e vago,

cada dia mais vil e vago a meu ver.

e a maior parte só eu mesma entendo,

quando entendo,

quando não...


a lata do lixo é serventia da minha escrita a essa hora da noite.


sirvam- se bem.


tem chovido torrencialmente por aqui,

e por mais que eu ame as gotas de chuva que me molham o  rosto,

as vezes me canso delas também...


me canso de tudo, enfim,


são coisas sobre as quais não queria voltar mais a falar,


por deus,

há tanta pretensão e patifaria nisso tudo que escrevemos,

me enjoa só de pensar,

no que tudo isso vai se torna um dia,

se é que vai se tornar qualquer coisa,

além dessas folhas que cansei de amassar e arremessar lixo a dentro.

é difícil pensar em uma utilidade maior que essa pra tudo isso. 


é difícil pensar em qualquer utilidade pra tudo isso.


é só papel amassado,

rascunho do rascunho de mim...

e me enjoa mais ainda a ideia de passar-me a limpo.


talvez qualquer dia eu tente.


besteira, bem sei que não vou. sou melhor em rascunho.


ainda assim,

é só papel amassado...