quinta-feira, 30 de maio de 2013

22:35

minha garganta inflamada,
me dá um certo gosto de finitude e humanidade.

nada mais banal...

estudantes de psicologia,
filosofia, medicina,
faxineiros, 
a crente da igreja,
policias, trombadinhas e pedintes no trem...

todos nós ignoramos,
e uma hora ou outra nos inflama qualquer coisa na garganta.

e tanto faz a ideologia de merda que escolher.

você pode pensar no mundo como uma farsa,
e ignorar  a problemática de sê-la também.

não me faz diferença...

o que temos além da realidade do despertador,
das aulas chatas de terça,
balcões de lanchonete,
escolas e vielas?...

o cara que você amou ano passado,
o seu cachorro atropelado, 
os livros e arquivos no pc,
o chefe
a mulher que te vende sanduíche,

tudo isso é muito mais do que poderia ter.

não nos possuímos, a nós mesmo.

não; não possuímos. e só, nos possuímos.

e não há  amor, 
ciência,
fé ou poesia,
que nos redima do que somos.

tomo um remédio,
e escrevo...

porque não há o que redimir, afinal...

simplesmente, não há.

domingo, 26 de maio de 2013

mariposas

o que poderia eu fazer com mariposas,

o que faço sem?

mariposas…

mariposas voam.
dentro de todo o tempo,
tempo é coisa rara,
rala, 
que se devora, 
e esmaga.

mariposas não tem noção do tempo,

e tempo não é nada,
pouco menos que os ponteiros e o relógio.
pouco mais que eu,
e o resto.

peguei o livro e deixei a porta do quarto aberta,
ela dá pra rua,
não que isso importe,

nem porta, livro ou rua…
o céu vai se acinzentando,
à toa… 

poderia chover ou fazer um puta sol,
que não me faria diferença alguma,

nada faz.
mariposas…
são bonitas,
porque são bonitas,

não fazem sentindo, não fazem tempo,
não escrevem poemas
vertem lagrimas ou sorriem,

mariposas são mariposas,
porque são mariposas.

apenas mariposas. 
isso não é feio nem bonito.

não há mariposa que me entre pela porta do quarto,
só tempo que me foge pela janela.

as mariposas voaram…