domingo, 15 de setembro de 2013

desmedida

(reeditado)

se dissipa e me dissipa,

o tempo 

tempo...

tempo é raso,
falho e
ilusório.

o que nos move,

dos pés 
à
cabeça,

nos

                 g
               i     r
                 a 
                           muito além dos ponteiros 
                                  de qualquer relógio...


tempo,

tempo nem existe, meu bem.

e eu não dou a minima...


a medida certa e inexata

de qualquer palavra,
é uma vertigem de silêncio e caos.

a medida que me foge pelos versos...

escrever é tão vão.

e vão...

me escorrer a alma por entre os dedos,

me escorrer
no peito...

e os versos,
pelas mãos

me silenciam
e gritam...

vertigem de silencio e caos...

o coração que me pulsa e pára,

não pára,
exato.

e é tempo também...

tempo?

só corre,

           e

e
   s
c
  o
r
  r
    e

é vertigem de relógio... só corre.

e o peito
me vai,

desmedido,
é poesia ... e só corre...

tempo.


tempo nem existe, meu bem...

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

seis de setembro

às cinco e pouco da manhã,
o sol me nasce pela janela do ônibus,

entre um balançar e outro da estrada, 
fecho e abro os olhos, sem saber direito onde estou.

talvez eu me mude pra alguma ruazinha em Pernambuco ou Minas Gerais,

tenho um amor secreto por cidades pequenas e ensolaradas,

com um ritmo de vida mais lento...

ou talvez eu nunca saía daqui,
tenho um amor secreto por essa cidade também.

o que somos anda tão desgastado em mim,
me desbota de pouco em pouco,
qualquer coisa que me há dentro do peito.

aquilo que percebo,
e entendo como "eu",
já me ultrapassa e muito, a angústia e o verso....

e o sentido que me faz,
me  
      e
          s
        c
              o
                    r
                         r  
                  e             

entre o medo e a certeza

desse nada,
que tudo somos... somos.


velhos livros empoeirados de  tantas psicologias e filosofias baratas,
me devoram e vomitam 
entre um self e outro...

às cinco e pouco da manhã,
entre um balançar e outro da estrada,
e todo o sol que me nasce pela janela... 

fecho e abro os olhos.

o que ainda ei de ser?

talvez eu apenas me mude pra Pernambuco ou Minas Gerais...