sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

incabando

eu tô olhando para uma tela em branco,
que me reflete o nada dos olhos e da vida.

um belo espaço de tempo
entre o antes e o agora,
e um pouco mais de um depois a borrar
e esperar...

esperar e
expelir 
ar
e
ar.

desalinhar
o passo
e o peito,

o verbo
e o  peito.

o tempo e... respirar.

de ar 
em ar. 

tempo é ralo
e espesso,

abrir janelas,
arrumar gavetas

colocar
as neuroses nos lugares.

fica bem assim,

cortinas brancas,
e a cama por fazer.

um pouco menos
entre um e outro agora.

borrar
e existir,

peito que me é ralo
e espesso.

vida cheirando a tinta
e incerteza. 

fico bem assim.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

palavras cruzadas

tenho jogado palavras cruzadas comigo,
ninguém ganha
e ninguém perde... isso é um saco. 

e o meu fone de ouvido está quebrado do lado direito,

mas a verdade, é que às vezes acho,  
que estou ficando um pouco surda, 

para o que me interessa ou não ouvir. 

penso que eu deveria parar de usar óculos,
escrever
ou ler qualquer coisa, e apenas me concentrar nos sinas de trânsito... 

eu tenho uma certeza secreta e tola

que eu morrerei atropelada antes dos quarenta. 

acontece que a vida atropela muito mais que qualquer caminhão.


ah, sim. muito mais.


quem me dera um caminhão de uma vez.


eu tenho ignorando completamente as datas e os horários,


tenho chegado e partido sempre muito antes ou depois do que deveria.


tenho deixado a cama por fazer

os cabelos por escovar,

e a vida por cuidar...


o telefone tá desligado,

mas às vezes eu acho que ele toca...

desconfio que tenha enlouquecido,

um pouco mais
e de vez
nas últimas duas semanas. 

até parece que me bate qualquer coisa no peito...


bobagem,

bebo um copo de leite,
fecho os olhos e imagino 
uma linha horizontal  

outra 
vertical 
em um tabuleiro. 

palavras cruzadas e tudo mais... talvez nem seja tão ruim assim. 


quem me dera dois caminhões!


cruzados, feito amor,
direto no peito...