domingo, 26 de abril de 2015

tiro o esmalte das unhas,
com o descaso 
e a impaciência costumeira,

por deus,

o que ainda sobra por sentir, além disso?

o domingo e o tédio,

véspera de segunda e coisa nenhuma...

corto as bordas do pão de forma,

como quem espera cortar as bordas de si...

respiro fundo e solto o ar de mim,


prendo o que ainda me resta de sanidade e engulo o café com leite.


há puco ou nada que se dizer,

além disso.

monossilaba por monossilaba 

de um poema que eu nunca me termina.

todo o resto é infinitamente menor.


tô sem saco para os trabalhos de faculdade,

livros,
anotações
e notas de rodapé,

vizinhos,

cachorro latindo,
horário
ponteiro e relógio.

todo o resto é infinitamente maior.


teve aquele sonho da noite passada,
a chuva pela manhã,
o terminal de ônibus,
a porta abrindo,
o silêncio do quarto
e o gosto de café requentado que me fica na boca...

e ainda tenho esmalte na mão...

por deus, e o que mais agora?

tomo outro gole de leite,
sanidade a engolir
e escarrar.

sábado, 18 de abril de 2015

uma noite dessas ainda me atravesso o peito,
como quem espera saltar de uma ponta a outra de um abismo,

e voo. 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Escrever não se trata de domar demônios,
escrever é tirá-los dos armários do peito
e convidá-los para dançar.


sábado, 4 de abril de 2015

caos calmo

04 de abril de 2015

toca o despertador,

que não me despertar o peito,

solidão que me atravessa o vidro da janela,

me atravessa o quarto,

os olhos
e os
dias,

o ponto de ônibus,

os trabalhos da faculdade,
a escola,
televisão,
livros,
rua, poeira
e
poesia.

qual a diferença entre solidão e solitude?


é uma fresta de luz amarela,

sol de fim de tarde,
pouco mais que a luz no fim de um túnel,

tem um incêndio no fim do túnel, 


que me atravessa 

o vidro dos óculos,

silencioso

e sozinho. 

pouco mais que meu coração...

silencioso e sozinho,
incendiando,

sexta-feira, 3 de abril de 2015

tem qualquer coisa muito bonita,
nisso,
de sermos sozinhos assim.