sexta-feira, 8 de maio de 2015

medianeras

fecho as janelas e visto o casaco...

acordei sem saber se era ontem,
hoje,
ou anteontem.

é  só um desses desiquilíbrios modernos...

eu tenho medo de alturas,
escadas rolantes,
amor e
elevadores.

e isso também não é nada anormal.

passei dois pontos depois do que eu deveria descer,
tá frio pra caramba,
e eu gosto um pouco menos da minha cara nas sextas de manhã... (hoje é sexta)

acordei sem saber se era eu
ele
ou ninguém...

entendo de mim tanto quanto uma minhoca  deve entender do mar...

há um abismo imenso 
entre existir 

poesia.

salta. 

todo o resto há de ser tão irreal quanto tudo. 

ainda tá frio pra caramba, 
abro a janela 
e tiro o cachecol...

meu coração é  pouco menos ou pouco mais 
que verso, abismo e janelas. 

salto. 

domingo, 3 de maio de 2015

me passam iguais,
tempo e domingo,

e esse nada

a me arder no peito...

amanhã é segunda, 

e eu sinto os joelhos  
tremerem de frio
por dentro da meia-calça...

bebo água,
ligo e 
desligo a TV,
abro as janelas,
arrumo as cobertas,

deitamos corpo e tédio na cama do que sou... não sou.

me tremem os joelhos de frio,
e o peito... de frio me arde como se nada fosse. e nada é. 

eu sumiria no próximo navio
se já não houvesse ele  partido de mim.

poesia é tempestade a me navegar,
e naufragar,
serena,
como se nada fosse. e nada é. 

navego, afago e afogo 
verso  
náufrago de mim. sou.