domingo, 28 de junho de 2015

Não existe amor mais ingrato do que amor de poeta.

sábado, 27 de junho de 2015

na calmaria do meu peito,
há um verso,
feito bomba 
a me
explodir.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

L.

tomo um café e imagino uma casa azul ,
em uma ruazinha qualquer de Minas,

com um gato e meia dúzia de livros, 
tinta e alguns pincéis...

não que eu tenha aprendido a pintar,
mas continuo gostando do cheiro de tinta de manhã. 

faz um tempo que eu sonhei que vocês se casavam na praia, 

ao som de uma banda chata dos anos 80... 

sonhei,
chorei,
amanheci,

e agora tanto faz. 

a verdade é que eu continuo tão desastrada, chata e quieta quanto sempre,

e tenho evitado relógios e o telefone,
apagado e-mails sem ler,
dormido pouco, e... 

o tempo continua sendo uma obsessão. simplesmente isso.

e no vão que me vai ficando entre as tuas mãos e os meus dias,
não sobra tanto assim a te escrever... 

escarrei o amargo da última conversa,
no doce do meu último verso,

e ainda assim, escreveria um livro inteiro só dos meus silêncios,
e outro,
só pros teus olhos castanhos...

mas nada nos é estático
previsível  ou igual.

por que seria?

tudo é verso a me percorrer
apagar,
e invadir
os olhos e o peito,

amor,
a nos escrever
apagar, e escarrar.

tempo a me fugir,
amanhecer, 
e esquecer... 

a vida é mesmo qualquer coisa sobre esquecer e lembrar...

e um tanto mais bonito é lembrar.

eu sonhei que vocês se casavam na praia, 
ao som de uma banda chata dos anos 80.

felicidades.
venham me visitar em Minas no verão. 

sábado, 20 de junho de 2015

Passei o dia deitada na cama,
como se estivesse doente.

Coisa que não estou,

embora 
seja,
extremamente, doente de mim. 

Acordei dona de uma loucura  lúcida.


Me encho do oco de mim,

do tédio e do verso...

Sou como a nau que partiu de si,
e em si, espera ancorar e afundar...

Ando dona de uma sanidade burra.


e mais burra aos sábados

e as segundas...

Fora do verso,

nada me cabe,

tudo me escapa

e me cessa. 

Fora do verso não sou eu.


E dentro... tão pouco.


Não me cabe ser outra coisa além de espera e nau.


Acordei dona de mim e de nada.


Levanto da cama,  esfrego o tempo dos olhos,

escrevo,
e  afogo. 

Sou nau a esperar-se vento. 


E ainda, ei de ser tempestade e louca.  

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Fragmentos II

Ei de ser poesia e nada. 

E eu, ainda. 

Todo o resto de mim é saudade,
espera e nevoeiro. 

Me silencia a hora,
me parte verso do peito. 

Só me reconheço 
no espelho 
dos teus olhos cor de terra batida.

Me esqueço,
escrevo e me amasso,
nos teus olhos cor de terra batida...

Todo resto de mim é poesia barata. 

domingo, 14 de junho de 2015

em dezenove linhas

o que me dói é o raso
entre o meio
e o canto esquerdo do peito.

nas mãos ocas de mim,
nos lábios trêmulos de silêncios.

o que me corta é o tempo.

me atravessa o espelho,
os olhos, e os ponteiros.

movo os dedos devagar,
tecla depois de tecla,

desembaço as lentes dos óculos,
tem ainda o astigmatismo...

o que me sobra é o tédio.

me invade o quarto,
o amassado da folha, o desbotar da tarde... e já é tarde. deus, como é tarde.

até pro que ainda é cedo, já é tarde!

bobagem... 

ainda me encanto do verso.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

tem uns meses que não bebo café,
e não fumo,
o que não é bom nem ruim, apenas é.

tem uns meses que esqueço a janela do quarto aberta, 
e durmo,

deixado as cartas no portão,
grifado a lápis o mais desimportante  dos rodapés dos textos de psicanalise,
e torcido para professora de terça faltar...

escrito e apagado,
adiantado o relógio e perdido a hora... 

meu peito é o 
oco 
preenchido de mim.

no reflexo do espelho,
nas lentes sujas do óculos,
na casa,
na rua,
livros e janela, não me encontro em mim,

tem um gosto amargo,
que me desce 
rasgando
pela garganta,

dia sim
dia não...

só tem me sobrado 
a falta de mim...

verso sim,
verso não.

abro a janela,
para me esquecer de 
fechar-me o peito. 

tens uns meses... e nada. 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

fragmentos

Meu coração é casa de silêncios,
verso
e tempo.
Vento ameno a arrebentar
janela e tempestade.