terça-feira, 14 de julho de 2015

daquelas manhãs nubladas,
em que a poesia te derrete no papel.

não escrevo muito bem nesses dias,

ou em outros dias...

pouso o lápis pela folha do caderno,

a tarde e o tédio,
o garrancho 
o sono
e a vida...

e não me sobra muito além do  verso,

e da costumeira janela esquecida aberta a minha frente...

não poderia amar nada mais verdadeiramente
que a minha janela, 


e me casaria com ela se pudesse...

daquelas noites estreladas, 
a te fazerem derreter 
feito 
                  p
                  o  e
                        s
                      i    a 
pelo peito.

caos calmo

vamos dizer a verdade,
sim; vamos.
a verdade é que estou ligeiramente infeliz. 



de janeiro a julho,

nas segundas pela manhã
e sextas a tarde... pouco importa, calendário e hora. 


não há verso,

ou abraço.


os dedos a percorrer-me sozinhos os lençóis e a cama,

a janela escancarada,


e o sol...

vamos dizer a verdade,


a verdade  é que, tão pouco, essa infelicidade me interessa.


agosto virá,

setembro,
outubro,
novembro e dezembro...

e o que? o que?!

por deus, o que...


me viro de lado,
me contorce o peito,

vazio  a devorar vazios...