sábado, 29 de agosto de 2015

28 de agosto

me canso de ser poeta,
deito o corpo na cama,
abro os olhos e fito as cortinas brancas a minha frente,
brancas e serenas,

tão mais fácil ser cortina...
quem dera nascer cortina e não poeta...
quem me dera ser qualquer coisa
mas não hoje.
se pudesse pendurava a alma na janela
feito pano velho pra arejar.
mas tenho preguiça de mim,
e o que me percorre a alma,
é por demais eu.
se pudesse me esparramava a alma fora de mim.
mas tenho preguiça da preguiça que tenho de mim,
se pudesse me enfiava a alma goela a dentro.
sentir é um incômodo do qual ninguém escapa,
salvo as cortinas.
abençoadas cortinas.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

eu estou indefinidamente deprimida,
indefinidamente
confusa, e irritada.

indefinidamente qualquer coisa...

angustia não é definível,
palpável,
simples, ou bonita.

angustia é só angustia,

ela chega, senta do lado direito do meu sofá,
e por lá fica, madrugada a dentro.

segura minha mão na cama a noite,
e me acorda as cinco,
barulhenta e cheirando a café amargo...


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

abro e fecho as janelas de mim.

poderia me jogar
abismo
a
dentro do peito.

nada disso me faria muita diferença.

as cinzas nos cinzeiros
a imagem no espelho,
os versos
ou prosa rala,

é peito aberto ou bem fechado?

abro e fecho as janelas

me atiro
precipício a dentro
de mim.

somos abismos lindos.

saltemos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

fica sempre um buraco no meio do peito, bem difícil de ignorar

eu me esqueci de comprar um caderno para o inicio das aulas,
me esqueci de trancar a porta da frente,
e de passar as roupas para segunda de manhã,

de te apagar os poemas,

e a caixa de spam.

mas até aqui tudo tem corrido bem.   

a bolsa de estudos,
o emprego,
as contas pagas...

o que mais eu poderia querer?

tem um mundo inteiro fora da minha janela,
que eu nunca toquei...

mas até aqui tudo tem corrido bem.

Uhum, bem pra caramba...