domingo, 27 de setembro de 2015

o cheiro do bolo de milho na cozinha,
o barulho da chuva,
os carros passando por cima da ponte
o toque do telefone,
a bagunça dos livros...

tudo é tempo a me engolir e cuspir.


o trabalho na segunda,

a nota da prova de terça,
as linhas riscadas no caderno,
e os poemas sem terminar,

tudo sou eu,

escarrada  e engolida em mim.

o escuro do quarto,

os ruídos na rua a  tarde,
o domingo e a sexta,

tudo é fim e começo,


me prende e solta

o verso 
a me entalar o peito na garganta. 

o arrepio da pele,

o cabelo molhado,
o salgado da lágrima..
o gosto de  água do chuveiro,
o começo e o fim do beijo...

tudo há de ser poesia. e ainda bem, bem maior que  isso. 

sábado, 26 de setembro de 2015

Quando a vida é tanta que não te cabe em nenhum verso. 

domingo, 6 de setembro de 2015

a rotina das xícaras de café,
dos corredores,
lápis
e cortinas,

o prender e o soltar 
o ar.

tudo é tempo a nos consumir 
segundo a segundo,

mas o tempo a medir nunca foi,
realmente,
este dos calendários e relógios.

me fica um sabor amargo e doce de domingo,
algo entre o acabar e o começar...

se pudesse plantaria o coração em um vaso de barro,
e o deixaria respirando na janela da frente,
crescendo 
fora de mim... 

enquanto esqueço do frio de setembro,
e danço nua na sala de estar.

quem dera pudesse colher flores no meu peito. 
tomei um banho rápido,
para tentar espantar essa febre,
que me acompanhou boa parte da tarde.

me sentei no sofá,
e fixei meus olhos na porta de entrada.

há um descompasso em mim,
que não é muito simples de ignorar.

me levantei e fui até o portão,
não há nada na rua, além dela mesmo.

tão pouco há em mim,
outra coisa,
se não
eu.

acho que esse semestre irei mal nas provas,
não que isso me importe...

pouca coisa tem importado realmente.

a vida tem me batido bem forte na cara,
e o roxo que vai me ficando,
já deixou de parecer bonito faz tempo.

eu fecho as janelas, 
e espero abrir qualquer coisa aqui dentro.

não abre. 

existir continua sendo um absurdo bem difícil de aturar.

... e que se dane. 

tiro os sapatos pra sentir o chão frio  da sala com as pontinhas dos dedos...

quem dera poder tirar de mim a alma
com a mesma facilidade que tiro os sapatos.