segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

eu examinei minhas unhas,
e elas cresceram um pouco tortas,

é... eu ando roendo unhas, não todas, não sempre. mas roendo. 

às vezes me interessa mais examinar
e roer as unhas 
do que conversar ou escrever.

e deus, como ando roendo as unhas, e só roendo,

não sou boa com essas coisas de esmalte e etc
e nem com nenhuma outra coisa.

mas roer as unhas eu sei. 

o verso me anda bastante roído também,
poesia que me cresce torta pelos dedos... da vida que eu ando roendo e roendo.

e isso é seriamente um poema sobre o roer das unhas,
porque chega um momento da vida que nada importa mais do que o roer das unhas.

embora não seja nem pouco lirico. 
e certamente não é assunto para um poema.

mas o que não seria?

roer as unhas é comprar o pão,
alimentar o gato,
transar na sala,

roer as unhas é ir mal na prova,
apagar o número daquele cara do telefone,
pagar o boleto,
mandar arrumar o ventilador...

roer as unhas é o concreto do tempo que te cresce -torto- pelo dedos,
e se corta nos dentes
e haja dentes
ou tempo
pra se roer.

e é tão divino quanto
fazer café,
ou ler Dostoiévski,.. talvez  até mais.