domingo, 28 de fevereiro de 2016

fevereiro

desamasso o vestido,
limpo as remelas do canto dos olhos,
como quem limpa o tédio do canto do quarto.

bobagem...

tem bem mais poesia
nas remelas do que nessas minhas frases.

aperto os olhos pra enxergar o letreiro do ônibus,
e ele sempre atrasa...

me deixa um gosto de espera sem beijo no céu da boca.

eu bebi um gole enorme de saudade nessa última semana,
como quem bebe uma garrafa, dessas grandes, de coca,

e não gosto de coca, é claro.

desculpe. 
eu continuo muito chata. e os versos um porre.

e eu sinto uma falta desgraçada de mim,
não de você.

embora, eu ainda ache que tem bem mais poesia nessas suas remelas,
do que em qualquer coisa que escreva.

desço do ônibus,
abro e fecho a porta da frente.

me jogo no sofá e... e o que mais, meu deus?

é... deve ter mesmo.

malditas remelas.