domingo, 29 de janeiro de 2017

faz tempo que não escrevo poesia,
e todas as palavras tem sido vagas
e vazias de tudo, inclusive de mim.

esbarrando no tímido dos meus olhos,
na voz baixa,
e na minha constante falta de jeito 
pra tudo o que há fora de mim. 

e eu não quero figurar em um desses anúncios de "desparecida",
mas sinto que a muito que se perdeu 
o que tinha de meu nesses cadernos,

e o que me sobra é o ecoar miúdo dos versos
que mal me cantam mais
o insosso da tarde 
ao pé do ouvido. 

só o que resta é o silencio dos copos,
o vidro embaçado do espelho no banheiro,
o cheiro de pneu queimado do ônibus,
a escola cheia,
e  o costumeiro tédio de tudo
que me corre em cada centímetro do corpo.

tudo o que me é concreto e parco. 
e, por isso mesmo, sublime de tão ordinário.

viver segue sendo a maior das transgressões...

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

abro os olhos, que já amanheceu,
não há muito o que fazer..

talvez seja assim mesmo,
algumas manhãs são claras,
e outras, apenas não são.

eu queria aprender a cozinhar,
para quem sabe me fazer um almoço ou um jantar bem legal... 
arroz, filé , salada... talvez algo mais... não sei por que falei disso agora.

vou escovar os dentes, e abrir as janelas...

saltar
e
cair

pra não morrer. 
são dias difíceis de escrever,
ver,
ou sentir...

o nada,
que me esvazia,
o corpo,
a mente e a alma...

me preencho no peito,
e a folha
de coisa nenhuma.

afundo minha cabeça no travesseiro.

afundo meus olhos no vazio do quarto,
e da vida.

há um intervalo na minha consciência,
um bloqueio,
feito,
buraco e vazio,
na vida e no peito.