sexta-feira, 29 de setembro de 2017

são dez da noite,
de uma sexta,
e eu nem sei direito 
se é mesmo setembro ou outubro,

eu tenho um quarto todo lotado de mim por arrumar,

espalhados os livros,
a poeira 
e descascado da tinta
o teto e
o chão

tudo lotado de mim,

os pés
as mãos,
a sujeira por debaixo das unhas,
as bolsas nos olhos,

os quilos a mais ou a menos

lotados de mim

a porta da frente,
o atraso e o desconto no fim do mês,

a conta paga
e a esquecida

lotadas de mim.

a displicência e a paranoia,
novas 
e antigas

o amanhecido
a fome,
o sono,
o tédio,

o suor,
e desalinho,

lotados de mim.

o verso
e o insustentável do tempo,

o que me arde,
fere e 
afaga,

o ignorado
e insosso

me esvaziando os contornos,
de algo que sempre me fica 
por arrumar... 

de uma vida inteira,
lotada 
e esvaziada de mim.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

melancolia que me acompanha
dia sim
dia também...

senta no lado esquerdo do sofá

bebe o café,
e come sem vontade o pão,

desliga a luz

e abre as cortinas,

tropeça sem graça na calçada,

amarrota o vestido,
e me enjoa o estômago...

trepa com o tédio

vira de lado
e não dorme.

me acorda às cinco e pouco

pega o ônibus
e senta na carteira da frente...

escreve,

apaga
e esquece.

o mesmo/outro poema sem graça,

dia sim
dia também...

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

do ilusório

todas as coisas parecem tão inúteis
quanto sempre foram,
o lado esquerdo da cama,
vazio,
os poemas não terminados,
a porta esquecida aberta...

pedaços e pedaços
de uma poesia gasta e repetitiva

cotidiano raso
e esquecível.

eu me sinto inacabada,
tateando as bordas de mim
pelo escuro.

e já é setembro...

me deixo no lado esquerdo da cama,
espero outubro,
e finjo dormir.

tudo é pouco mais que
sonho.