quinta-feira, 25 de outubro de 2018

dia 1

Mas, há ainda de se erguer castelos...
de pó e silêncios.

rebocar o tédio das paredes,
consertar o incerto do piso,

trocar o vazio da janela,
costurar os buracos no vestido e nos dias...

limpar as teias de aranhas,
do clichê e do verso.

todo blasé que me corroí,
estraga as cortinas,
e me amarela
de café e tédio os dentes.

do teto
ao chão.

tudo é tempo,

termina e não acaba.

domingo, 21 de outubro de 2018

caos calmo

Outubro/2018

eu deveria encontrar alguém para trepar comigo,
nas manhãs de domingo,
e sextas à noite, 

para me esquentar os pés,
gozar 
e esquecer.

talvez,

aprender a nadar,
começar a dançar,
comer direito
e dormir na hora certa.

abrir as cortinas,

jogar o celular na parede,
aprender ortografia,
e mandar todo mundo para o inferno.

deveria sim.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Agosto

Dos seus olhos
aos seus pés
das pontas dos dedos, boca e pescoço...

Todo pedaço seu, 
me cerca e 
transborda
o peito e o juízo. 

Te apavora do tempo, 
o curto do dia
o lado da cama
O que passa e o que fica...

Te encosto de leve
o medo no peito,
Me apaga o tempo entre os dedos.

Me ajeita de lado o amor, 
Dorme...
E me acorda 
o verso 
e a vida.

quinta-feira, 12 de abril de 2018


Inacabado 12/04/18

As paredes do quarto estão por terminar,
assim como as paredes de mim
sempre estão a beira de uma reforma,
que nunca encontra começo ou fim.

Eu encontro e me desencontro-
pelo rebocado da vida-
o descascado e o empoeirado do verso.

Escrevo como quem espera abrir janelas no peito... pra deixar a vida arejando no batente.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

santos

14 de fevereiro de 201(e não lembro mais)

a estrada que liga 
são paulo 

santos,

a estrada que me liga a qualquer outra estrada...

o vento é o mesmo vento.

o sorriso,
os olhos

e o tempo...

o mesmo tempo,

em outras 
linhas

de outros 
versos...

tira
tijolo 
por
tijolo

me des
         constrói 
naquele muro 
nosso.

deita no meu colo,
uma vez mais,

o meu
e o teu 

silêncio,

me perdoa o medo,
te perdoo a pressa...

somos sós 
a sós.

inevitavelmente sós.

deita mais perto,
adormece 
o meu 
silencio
no teu peito,

somos sós a sós.

amavelmente 
sós.






sábado, 17 de março de 2018

Tenho falado
com todos os meus silêncios,
e tem qualquer coisa de muito bonita
em simplesmente silenciar.

Eu tenho
espiado a vida pela fresta da janela,
e toda a luz que entra
me enche os
olhos e a sala
do teto ao
chão,
Transborda
e me afaga no oco do peito.
o inacabado do poema,




sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

reagir

2017 passou,
e eu me sinto a mesma pessoa,

com algumas dores a mais
na coluna,
e um diploma pra guardar na gaveta.

tem um tédio em  mim que nunca morre,
se esconde por entre as linhas,
debaixo da cama,
dentro do espelho... mas não morre. 

eu pinto o cabelo,
compro cadernos pra deixar em branco,
ligo e desligo o computador,
e só,

uma vida inteira pra aprender a existir. 

e, até aqui... muitas dores a mais na coluna.