domingo, 24 de novembro de 2019

Notas avulsas

Tenho me perguntando muito, sobre muita coisa. 
Talvez, por isso, escrito menos, falado menos e escutado 
Menos. 
.

Escrever, é me alimentar. 
De mim mesma,
Do tempo que passa,
Do silêncio que soa,
Da janela que abre,
Do menino que chora,
Do eu que 
Me
escorre...
Letra que nutri,
Termina
Em
Fome. 
.

Nem sempre é coerente. 
Ou poesia. 
Nem sempre sou eu. 
E, ainda assim,
Tem qualquer coisa
De 
Minha. 
.
Fome.
.
Notas avulsas: Título para um livro não escrito

Escrevo

Escrevo 
Decidi que voltei a escrever,
não que tenha
qualquer coisa de
consciente nisso, ou de decisão
Não sei se tem…
O que tenho é o silêncio
A letra e um ou outro verso…
Ora, meu
Ora, nada.
O que eu tenho é barulho
Escrever é qualquer coisa
Entre o silêncio e ruído.
Eu tenho sido qualquer coisa entre silêncio e ruído
Até aqui, nada novo.
Decidi que nunca parei de escrever.
Silêncio
Verso
Ruído
Ora, meu
Ora, nada.
Decidi… Porra nenhuma.Mas tô aqui e sei juntar umas letras. Isso basta.

domingo, 10 de novembro de 2019

Sobre tartarugas


Sobre tartarugas:

I- 

Eu acho bonito para caramba como elas-simplesmente- sabem como voltar ao lugar exato em que nasceram para colocar os seus ovos. E, quando os filhotes nascem eles sabem -simplesmente- que precisam voltar para o oceano.
Mas gente é um bicho lindo também. 
Sabe e não sabe. 
Inventa que sabe um oceano inteiro. 
Vive

Morre, 
um oceano. 
Acho bonito.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Sobre não escrever mais

Tinha um amigo poeta. 

Era mudo. 
Comia silêncio,
Bebia silêncio. 
Arrotava verso. 

Deitava silêncio,
dormia silêncio,
Sonhava verso. 

Trepava silêncio, 
Gozava silêncio,
Amava em verso. 

Um dia meu amigo falou,

Comeu barulho,
Bebeu barulho,
Arrotou silêncio. 

Deitou barulho,
Dormiu barulho,
Sonhou silêncio. 

Trepou barulho,
Gozou barulho,
Amou em barulho. 

Nasceu barulho,
Chorou barulho,

Morreu poeta,
Mudo. 

(Poema inacabado)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

eu tenho livros 
e uma porção de poemas
sem terminar
que vão continuar 
inacabados.

como os pedaços de mim, 

sem pontos ou vírgulas,

me inacabando. (permita que eu me invente uma palavra, sim?)


eu tenho um silêncio que dorme

e acorda
em mim.

e não acaba também.