quarta-feira, 28 de julho de 2010

Aprendizes de deus

Somos crianças buscando explorar o que no fundo já sabemos inexplorável
Tentando tornar vivo aquilo que já nasceu morto
Tentando entender aquilo que não foi criando para se entendido
Tentando transcender o que não requer transcendência nenhuma
Buscando a genialidade nos braços da mediocridade
Buscando o tudo dentro do nada
Tentando tornar papável o impalpável
Tentado encontrar respostas duvidando
Tentando fazer luz ,aquilo que se fez para ser escuridão
Questionado o inquestionável
Buscando o material com seres imateriais
Criando realidades paralelas
Que substituam a que julgamos como irreal ,
Ou que julgamos como de outro,mesmo sabendo que é nosso e só nosso
Tentando tornar real o irreal,
Em uma busca insana ,
Criando epopéias particulares e
Tentando matar quimeras
Que apesar de só povoarem a nossa imaginação
São-nos muito mais fascinantes do que qualquer criatura viva poderia ser
[Pois nada é tão presente quanto uma ausência,
Nenhum amor é tão amado quanto o que ainda não é conhecido]
Tentando enxergar sem olhar
Tentando racionalizar o irracional
E tocar com os dedos o imaterial
Tentado preencher um vazio
Sem saber que o vazio já é,por si só, um preenchimento
[do mesmo modo que a solidão é sua própria companheira]
Somos apenas crianças tentado se encontrar em meio ao próprio caos
Tentando conhecer-se ,sem se mostrar
Tentando descobrir o que é vivo matando-se
Somos apenas crianças insensatas
Criando monstros invisíveis
Que acabarão por matar seus criadores
[Mas como somos apenas criaturas imaturas e insensatas, até essa morte nos parecerá eternamente bela]
Somos apenas crianças brincando de deus,sem saber que não há nada mais divino que ser apenas homem.