(sobre ter parado de escrever)
nos últimos tempos tenho me sentindo desleixada e improdutiva,
não que ser produtiva, ou qualquer coisa assim,
me interesse muito. não interessa.
o meu cabelo cresceu,
os óculos já não são os mesmos,
as calças,
camisa
jaqueta,
quarto e telefone...
parede,
rua,
caderno
e poemas... nada me é estático.
não há nada mais banal do que ir ao banheiro a noite,
dar descarga
voltar para cama,
tomar café
ligar e desligar o computador,
escrever
e dormir...
o que temos fora de toda essa banalidade?
nada a que se agarrar ou soltar.
uma vida que tem se resumido a deixar poemas por terminar,
cinzeiros
leite
café
George Mead (fui muito bem nas provas, obrigada)
e programas ruins de domingo...
uma vida que se resume a qualquer coisa
que no fundo não me interessa.
parede,
rua,
caderno
e poemas..
nada a que se agarrar ou soltar. saltando em 3,2, 1...
tomar café
ligar e desligar o computador,
escrever
e dormir...
o que temos fora de toda essa banalidade?
sei lá...
tomo café com leite
e escrevo isto,
com uma esperança boba de que faça sol pela manhã
e chova um pouco a tarde.
mais que isso é bobagem.
entende o que quero dizer?