domingo, 14 de junho de 2015

em dezenove linhas

o que me dói é o raso
entre o meio
e o canto esquerdo do peito.

nas mãos ocas de mim,
nos lábios trêmulos de silêncios.

o que me corta é o tempo.

me atravessa o espelho,
os olhos, e os ponteiros.

movo os dedos devagar,
tecla depois de tecla,

desembaço as lentes dos óculos,
tem ainda o astigmatismo...

o que me sobra é o tédio.

me invade o quarto,
o amassado da folha, o desbotar da tarde... e já é tarde. deus, como é tarde.

até pro que ainda é cedo, já é tarde!

bobagem... 

ainda me encanto do verso.