eu gosto do amassado das folhas,
do chiado da TV,
da chuva escorrendo pelo vidro,
do barulho dos carros,
e do silêncio que sobra depois da música..
eu gosto da minha tristeza,
quando minha.
me escancarar o peito e me deixa povoar.
eu cortei e escureci um pouco os cabelos,
quebrei e troquei os óculos...
e não há muito mais que contar. embora sempre tenha.
tudo tem sido tempo a me somar ou subtrair
nessa coisa qualquer que tenho feito de mim,
muito ou nada de mim,
a refletir no espelho do que julgo ser,
e não há coisa alguma que eu julgue ser,
se não tudo.
eu gosto da janela entreaberta,
do movimento das cortinas,
dos livros na estante,
dos olhos castanhos...
não tem poesia que me dê conta da vida,
ou dos teus olhos castanhos...
ainda me cabe aprender a sentir.
que me atropele logo um caminhão,
de frente
e bem forte no peito.