me sinto velha e chata,
um tanto mais chata que velha,
mas a essa altura tanto faz...
mas puxa a cadeira
e toma um café comigo,
café preto,
desses de padaria mesmo.
não tenho muito o que dizer,
eu nunca tenho...
a verdade é que ando triste pra caramba.
e não tem lirismo nenhum que me salve disso,
e tem lirismo pra caramba nesse café de padaria,
que fica com gostinho de pó bem no final,
tem lirismo pra caramba,
no balcão,
nos azulejos do chão,
na sujeira
e nos centavos que o cara tá contando na fila do caixa...
pago a conta e me desamasso
o verso
do guardanapo,
e do peito
entre o doce do café
e o amargo do tédio,
a me amarelar os dentes e os poemas...
é sempre o mesmo lirismo
amarelo
de café e das etceteras todas...
sempre.
que seja.