faz tempo que não escrevo poesia,
e todas as palavras tem sido vagas
e vazias de tudo, inclusive de mim.
esbarrando no tímido dos meus olhos,
na voz baixa,
e na minha constante falta de jeito
pra tudo o que há fora de mim.
e eu não quero figurar em um desses anúncios de "desparecida",
mas sinto que a muito que se perdeu
o que tinha de meu nesses cadernos,
e o que me sobra é o ecoar miúdo dos versos
que mal me cantam mais
o insosso da tarde
ao pé do ouvido.
só o que resta é o silencio dos copos,
o vidro embaçado do espelho no banheiro,
o cheiro de pneu queimado do ônibus,
a escola cheia,
e o costumeiro tédio de tudo
que me corre em cada centímetro do corpo.
tudo o que me é concreto e parco.
e, por isso mesmo, sublime de tão ordinário.
viver segue sendo a maior das transgressões...