quinta-feira, 17 de junho de 2010

Olhos doentes

Os olhos com os quais enxergo
Não são realmente meus,
São olhos que tomei emprestados
Porque me disseram que sem eles
Não posso ver como deveria,
Não posso ver o mundo,
Como os outros veem

Pois os meus verdadeiros olhos,
Só enxergam uma parte das coisas
Uma parte bastante embaçada
E sem muitas cores
Me disseram que com meus verdadeiros olhos
Eu perco uma parte do mundo
E por isso só posso ver um lado da vida
Pois o outro lado está sempre no escuro
Mas, mesmos o lado que vejo,
Também não é muito claro

Disseram que meus olhos
Possuem um defeito, e que só
Querem entender tudo errado.
Me disseram que tenho olhos doentes

Me recomendaram;então;como alternativa de cura
Outros olhos,
Olhos que ajudariam a enxergar a vida
Como ela realmente é
Olhos que me fariam
Enxergar normalmente,
Como todo mundo vê

Foi por isso que peguei emprestados outros olhos
Que agora exibo orgulhosamente
Como se eles sempre tivessem me pertencido

E agora que tenho esses olhos normais
Disfarçando a doença dos meus antigos olhos
Ninguém duvida mais do que vejo
Agora que tenho esses olhos emprestados
Posso ver; segundo o que me disseram;
Tudo diferente,
Posso ver mais nitidamente
Os rostos das pessoas
E reconhecer seus sorrisos,
Posso;até mesmo; ler suas palavras
Sem que suas idéias fiquem embaçadas nos meus olhos.

Agora que vejo tudo enquadrado
Pelas lentes dos meus óculos
Vejo a vida mais clara
Vejo tudo certinho
Tudo arrumadinho
Livre dos borrões que costumava ver
Vejo tudo como deveria ver
Mas, ainda assim,
Usando esses olhos emprestados,
Vieram me dizer
Que não tenho visto bem as coisas!

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