quinta-feira, 13 de março de 2014

azulejos azuis

os azulejos no banheiro,
as cortinas brancas da sala,
o barulho de construção, nos fundos da casa,

e o silêncio, de qualquer coisa, a se quebrar
verso depois
de verso...

escrever sempre foi um soco
na minha própria  cara. de outro modo não teria porquê escrever.

espero que não me entenda mal
mas também não espero que me entenda tão bem assim.

entender é sempre um tanto limitado.

e eu escreveria um livro inteiro
só com as coisas que me fogem da percepção.

isso, se escrever fosse realmente algo relevante pra mim... mas não é.

eu lembro do mar,
da janela do ônibus,

meia duzia de sorrisos,
e outras tantas coisas mais... 

eu não me lembro de mim. 

as tardes vazias,
a biblioteca,
a tela,
e o branco,

o  tédio,
o sono
e o sonho.

eu só me lembro de mim.

tem uma casinha branca,
com azulejos azuis,
prateleiras 
e silêncios, esquecida em algum canto de mim.

tudo o que eu deveria escrever.

muito além do soco 
ou
da cara amassada.

eu espero que passe bem.

eu sei que eu, passo.

azulejos azuis...

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