segunda-feira, 19 de março de 2012

Aprendizes de deus

28 de Julho de 2010
  (Mais ou menos reeditado)


Somos crianças buscando explorar o que no fundo já sabemos inexplorável,

Tentando tornar vivo aquilo que já nasceu morto,

Tentando entender aquilo que não foi criando para se entendido,

Tentando transcender o que não requer transcendência nenhuma,

Buscando a genialidade nos braços da mediocridade,

Buscando o tudo dentro do nada,

Tentando tornar papável o impalpável,

Tentado encontrar respostas duvidando,

Tentando fazer luz , 
aquilo que se fez,  para ser escuridão.

Questionado o inquestionável,

Buscando o material com seres imateriais,


Criando realidades paralelas, que substituam a que julgamos como irreal,
ou que julgamos como de outro,
mesmo sabendo que é nosso, 
e só nosso.

Tentando tornar real o irreal,


Em uma busca insana,
criando epopéias particulares, e tentando matar quimeras,
que apesar de só povoarem a nossa imaginação,
São-nos muito mais fascinantes do que qualquer criatura viva poderia ser,

... Pois nada é tão presente quanto uma ausência,
Nenhum amor é tão amado quanto o que ainda não é conhecido,

Somos apenas crianças...

Tentando enxergar sem olhar,

Tentando racionalizar o irracional
e tocar com os dedos o imaterial.

Tentado preencher um vazio,
sem saber que o vazio já é, por si só, um preenchimento;
do mesmo modo que a solidão é sua própria companheira.

Somos apenas crianças tentado encontrar-se em meio ao próprio caos,

Tentando conhecer-se, sem se mostrar,

Tentando descobrir o que é vivo matando-se,

Somos apenas crianças insensatas,
criando monstros invisíveis,
que acabarão por matar seus criadores.

Mas como somos apenas criaturas imaturas e insensatas, 
até essa morte,
nos parecerá eternamente bela...

Somos apenas crianças brincando de deus, 
sem saber que não há nada mais divino,
do que ser apenas,
humano.

6 comentários:

  1. Nossa... este é um dos poemas que mais gostei, sem a ironia habitual da tua voz, mas com um lirismo impactante e devastador, além de ser um dialogo com certos aspectos existências do ser humano. Somos apenas crianças, já de inicio a afirmação nos retira aquilo que temos por certo, ser adultos, só a poeta para nos avisar de novo que somos crianças, esquecemos isto, e depois a reflexão permeada por uma melancolia que desabrocha dos lábios de quem o lê e faz os olhos marejarem, como se adentrasse no intimo do leitor, ... Pois nada é tão presente quanto uma ausência,e isto aqui
    "Nenhum amor é tão amado quanto o que ainda não é conhecido"

    Além de tudo ha neste poema afirmações de tom humanístico que muito me fascina, como está bem nítido no final.
    "Somos apenas crianças brincando de deus,
    sem saber que não há nada mais divino,
    do que ser apenas humano."
    silêncio para deixar ecoar no meu peito esta voz...
    beijos, parabéns!!!

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  2. As perdizes de deus...

    ... caçadas serão.

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  3. Nas matas de Ossanha...


    ... nas quebradas do pai joão.

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    1. Haha

      Já disse te que eu adoro os teus comentários Franco?

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  4. Apenas humanos. Por que de fato somos criaturas divinas né.
    Muito bonito esse texto.

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  5. Tem gente que esquece que o nada é nada, e vice versa.
    esse teu poema é bem coeso, e fala de muitas coisas, sem perder o fio, mas isso analisando pelo padrão prático da coisa. A questão é: nenhum poema é sujeito à análise, e todos são... realmente para arte não há regra...

    Mas, se o mal do século é a solidão, o lucro e o poder é o mal das eras. O impulso humano, quase em geral, é por sentimentos mesquinhos e egoístas, mas se deve algo ainda à esperança...
    O problema humano sempre foi o ego,achar-se melhor, merecer-se além, mesmo entre seres iguais, o que nos difere nos faz raros, e todos os outros são medíocres... Talvez sejamos o elo mais fraco da natureza, se é que ainda pertencemos ao que é natural!

    No mais, vamos discutir o sexo dos anjos rsrss

    muito bom o poema!

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