domingo, 17 de março de 2013

o meu café não é tão amargo,
quanto esses versos possam fazer parecer.

não, não é.
nem eu sou.

o problema é que já adoecemos, meu amigo.

e o paladar e o peito
ficam assim,
com esse sabor de café, já a muito requentado.

e eu sempre esqueço uma xícara ao lado do computador,

tem uma aqui agora,
vazia,
me fazendo companhia desde a hora que acordei.

geralmente, é toda a companhia que eu sou capaz de suportar por aqui...

eu não sou de muita serventia pra esse tipo de gente,
que gosta de falar o tempo todo,

não sou mesmo.

choveu o dia inteiro por aqui,
faltou energia algumas vezes,

e eu passei boa parte do meu tempo,
olhando a chuva escorrer pelo vidro da janela da sala.

isso faz mais sentindo pra mim do que um milhão de palavras e pessoas fariam.

de certo que sim.

a xícara ainda está aqui,
ao lado,
e não tenho certeza mas acho que a chuva passou...

não lembro de outros dias tão tranquilos, quanto o de hoje.

só me pergunto até que ponto tanta tranquilidade,
é realmente algo frutífero pra alguém...

mentira,
nem me pergunto  isso,

só queria mesmo aprender a fazer um café menos amargo,
e a esquecer menos xícaras sozinhas na mesa.

3 comentários:

  1. Tu continua a mesma, tu te repetes e a tua indiferença te faz diferente, tu sabes e aproveitas isso. Eu gosto,porque tu me permites quando tu te permite.
    Até.

    ResponderExcluir
  2. Mirtes vc é simplesmente o que podemos chamar de escritora do século XXI. Vc carrega a sua própria tecnica de escrever, vc conhece o que escreve e isso é fundamental de mais. te amo com todo respeito

    ResponderExcluir