sábado, 29 de agosto de 2015

28 de agosto

me canso de ser poeta,
deito o corpo na cama,
abro os olhos e fito as cortinas brancas a minha frente,
brancas e serenas,

tão mais fácil ser cortina...
quem dera nascer cortina e não poeta...
quem me dera ser qualquer coisa
mas não hoje.
se pudesse pendurava a alma na janela
feito pano velho pra arejar.
mas tenho preguiça de mim,
e o que me percorre a alma,
é por demais eu.
se pudesse me esparramava a alma fora de mim.
mas tenho preguiça da preguiça que tenho de mim,
se pudesse me enfiava a alma goela a dentro.
sentir é um incômodo do qual ninguém escapa,
salvo as cortinas.
abençoadas cortinas.

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