domingo, 11 de outubro de 2015

o abotoar 
e o desabotoar 
dos botões na camisa.

tocar o tecido e o metal com as pontas dos dedos...

por deus,
o que mais há pra sentir,
além disso?

fora ou dentro dos domingos,
e em mim.

penso nisso olhando a janela aberta a minha frente,

e pensar nisso é como um  pensar em nada,
tendo os olhos doentes 
pelo excesso ou pela falta de sanidade.

sanidade... 

é só outra palavra a querer dizer-me nada 
e pesar-me tudo.

assim como são todas as palavras.

queria eu aprender e esquecer todas as palavras  
de todos os idiomas.

escrever e apagar todos os versos,
de todos os poetas,

dizer tudo no silencio mais completo e absoluto 
do não ter nada o que dizer.

mas não... me teimam as palavras e os ruídos

o vento a me entrar pela janelas
e as cortinas que seguem brancas e quietas,
balançando contra o tempo 

que me percorre
da planta dos pés,
até a nuca e os fios de cabelo...

se acreditasse em deus talvez perguntasse a ele 
o motivo de tantas cortinas.

as cortinas são também deus,
e são eu também.

mas penso que deus entende de cortinas
tanto quanto eu entendo dele...

benditas seguem as cortinas que não pensam em deus,
poesia ou qualquer coisa...

apenas balançam no mais perfeito nada.

no mais perfeito nada de toda a criação.

bobagem...

é domingo e tenho sono. e é isso. 

deito o verso no corpo
e acordo.

escrever não é nada além desse sono acordado dos olhos.

benditos sejam os que dormem... 

3 comentários:

  1. Quero ver a beleza por detrás dos botões. Porque a da poesia eu vi depois que li.

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  2. Vou imagina-la então, a beleza que eu sei que existe além dos teus poemas.

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