sábado, 3 de outubro de 2015

setembro

eu gosto do amassado das folhas,
do chiado da TV,
da chuva escorrendo pelo vidro,
do barulho dos carros,
e do silêncio que sobra depois da música..

eu gosto da minha tristeza,

quando minha. 
me escancarar o peito e me deixa povoar.

eu cortei e escureci um pouco os cabelos,

quebrei e troquei os óculos...

e não há muito mais que contar. embora sempre tenha. 


tudo tem sido tempo a me somar ou subtrair

nessa coisa qualquer que tenho feito de mim,

muito ou nada de mim,

a refletir no espelho do que julgo ser,

e não há coisa alguma que eu julgue ser,

se não tudo.

eu gosto da janela entreaberta,

do movimento das cortinas,
dos livros na estante,
dos olhos castanhos... 

não tem poesia que me dê conta
da vida,
ou dos teus olhos castanhos...

ainda me cabe aprender a sentir. 

que me atropele logo um caminhão,

de frente
e bem forte no peito.

4 comentários:

  1. Adoro seus versos! Transmitem sensações, movimento e sentimento de uma forma bastante original; cumprem o verdadeiro papel da poesia.

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  2. Me tocou de uma forma que eu não saberia colocar em palavras, por isso mesmo, da melhor possível.

    As imagens estão aqui, a chuva, os apresentadores mudos da TV, as palavras ainda sem sentido, o som de alguma música, o cheiro de algum café, o calor de alguém que não me quer. Mas, não vou acabar, botar em ordem. Deixa assim, em caos, da melhor forma possível. Mais cedo ou mais tarde escorre em forma de sangue ou lágrimas ou suor ou palavras.

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  3. lquoos.blogspot.com

    E se eu aceitar o café?

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  4. 2-doses.blogspot.com.br
    Link errado antes.

    Continuo aceitando o café.

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