segunda-feira, 18 de julho de 2016

me sinto velha e chata,
um tanto mais chata que velha,
mas a essa altura tanto faz...

mas puxa a cadeira
e toma um café comigo,
café preto,
desses de padaria mesmo.

não tenho muito o que dizer,
eu nunca tenho...

a verdade é que ando triste pra caramba.
e não tem lirismo nenhum que me salve disso,

e tem lirismo pra caramba nesse café de padaria,
que fica com gostinho de pó bem no final,

tem lirismo pra caramba,
no balcão,
nos azulejos do chão,
na sujeira
e nos centavos que o cara tá contando na fila do caixa...

pago a conta e me desamasso
o verso
do guardanapo,
e do peito

entre o doce do café
e o amargo do tédio,
a me amarelar os dentes e os poemas...


é sempre o mesmo lirismo 
amarelo
de café e das etceteras todas...

sempre.

que seja. 

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