sábado, 23 de julho de 2016

em porcelana

tinha os olhos de esquecer.
as mãos em dois silêncios magros,
e o peito 
em um permanente assobio. 

o tempo frio,

as xícaras,
a louça toda por lavar
o fim das férias
e o começo de qualquer outro fim...

a água molhando minhas mãos enquanto ensaio ensaboar

pouco a pouco 
os pratos,

o relógio na parede

calendário,
o chiado  da televisão a abafar-me 
o assobio seco do peito...

o tédio por ensaboar e secar-me.


amor e poema,

a me encharcar e afogar,

(e esquecer)

ou qualquer outra coisa 

entre lavar os pratos 
e morrer...

porque é sempre só qualquer outra coisa 
entre lavar os pratos e morrer.

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