quarta-feira, 27 de junho de 2012

Letreiro cor de laranja

Eu fico no meu lugar de sempre,
de peito aberto, e com os olhos bem apertados,
tentando ler de longe, o nome no letreiro laranja do ônibus,

E eu sei que ando de saco cheio de tudo,
e já faz algum tempo,
mas  isso nem chega a ser novidade pra ninguém...

As pessoas todas parecem sempre tão corretas,
e certas de tudo e todos,
do que são,  e do que as outras deveriam ser, mas não são...

E eu já não sei mais nada...

Mas no fundo eu sinto, que eu apenas sou  incompetente demais pra essa vida,
mas eu nem ligo tanto assim pra isso agora...

Me deixo no ponto de ônibus balançando, 
calmamente, os meus pés no ar,

Enquanto a garoa fina vai desgrenhando, mais ainda os meus cabelos,
a minha vista ruim não me deixa ler a droga do letreiro do ônibus, 
e ele passa e eu fico...

... Pensando que deveria ter vestido outra blusa por cima dessa,

Enquanto sinto o vento frio, soprando no meus pensamentos, 
e me espalhando inteira o coração pelo ar...

E me lembro dos meus óculos terem ficado tortos,
enquanto ele não sabia muito bem onde enfiar a cara.

E me lembro de uma porção de outras coisas bobas assim...

E eu acho que ando tranquila demais,
e não sei na verdade,
como lidar com tanta tranquilidade em mim.

O ônibus chega, eu aperto os olhos,
tentando ler o nome no seu letreiro cor de  laranja, e vou... E ele  vai...

Destino: o indefinido (em letras grandes, cor de laranja).

4 comentários:

  1. Sempre prazeroso passar aqui pra te ler e encontrar sempre mais, do que ja tive.
    Que bom que até na tranquilidade tu escreve tão amorosamente sobre todas as coisas.

    gostei muito, um grande abraço e bom fim de semana.

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  2. Arrume um óculos que as coisas vão melhorar, aprenderá a lidar com a tranquilidade.

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  3. a "filosofia urbana".
    jovial poema, gostei muito.

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  4. Eu me identifiquei em diversos pontos do texto, irmã.
    Sou teu fã.
    Estou certo disso.
    E de que você é nota 1000.

    Abraços!

    Francorebel.

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