terça-feira, 16 de julho de 2013

estou a olhar para o teto,
ou o teto está a olhar para mim?

não ei de sabe-lo...

certo é, que estou a fitar qualquer coisa
que há acima da cabeça.

acima...

quem iria notar se nos virassem  o mundo 

ao avesso do avesso?

tudo é abismo,

tudo é chão,

dos olhos 
aos
pés,

nossa cabeça,
braços, 
sexos e narizes.

tudo é abismo.

o quão só nós somos?

o quanto só, nós estamos?

de que importa a largura de qualquer solidão?

tão menor ou tão maior do que qualquer coisa, 
que não nos cabe no peito.

quem iria notar se nos virassem 
o teto do mundo ao avesso?

estou a olhar o teto,
ou o teto está a olhar para mim...

tudo é...

teto 

eu.

tudo é...

o que somos.

quem sabe, o céu...

fecho os olhos,
e sonho com um teto azul tranquilo,

... como tinta que nunca descasca. 

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