quarta-feira, 17 de julho de 2013

o que tenho de mim,
se não eu mesma?

e todos esses pontos,
exclamados,
me interrogando nos miolos..

poesia burra e rala,
que me escorre pelos dedos, garganta e peito...

a calçada lá fora já não é mesma,
os atendentes da padaria, a fachada da casa da esquina, 
e até os caixas do supermercado, já não são os mesmos...

os postes e suas lâmpadas incandescentes,
ligadas durante o dia,
os ônibus que passam pela rua,

sequer os cães que me rasgam o lixo no quintal, são mais os mesmo...

o que tenho de mim,
se não eu mesma?

a comida congelada na geladeira,
o trinco enferrujado da porta,
os livros e a poeira da mesa,

a janela que dá para o muro...

fragmento sobre fragmento,

do nada, que me é tudo em mim.

o que temos pra possuir fora das paredes de nós?

o tempo que se esvai...

o agora,
sempre e sempre,

só agora.

a calçada lá fora...

o que tenho de mim,
se não eu mesma?

o concreto e o agora,
sempre e sempre,

e só agora.

todo resto é transitório.

e até os caixas do supermercado já não são os mesmos.

mas eu tô com preguiça  demais, pra  fingir que me importo...

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