Cleber desenhava faróis à beira do precipício para se distrair
durante o trajeto do ônibus da faculdade até seu quarto.
Chega sempre depois das vinte, come um lanche de pão com ovo e guaraná
É aluno bolsista de arquitetura em uma renomada e cara universidade. Ele não se parece com nenhum de seus colegas, anda de ônibus e não fez curso de desenho.
Aprendeu tudo que sabe vendo seu pai, pedreiro desenhando plantas em folhas soltas de um caderno.
Chegou de Minas em São Paulo sem um puto no bolso, arranjou um emprego de atendente de telemarketing, se hospedou na Pensão do Farol, quarto número 20, acordava antes do sol nascer e chegava em casa só depois dele se pôr…
Cleber desenhava faróis para não cair no mesmo precipício da pobreza herdado de seus pais. Deixa a luz de seu quarto acesa a madrugada inteira, tem medo do escuro desde menino.
Cleber tem um farol à beira de um precipício tatuado no peito.
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