segunda-feira, 25 de julho de 2011

"F."

produza 
                                                                              
                crie se ra                                            
                                  s                                                         
                                     gue se arrebente

"Teu sangue ralo explica 
Tua fome de comer 
Fome de engolir com os olhos 
Tudo que se pode ver 
Fome de camisa limpa 
De ter fome, fome ter 
Já que a garganta seca 
E o difícil engolir 
Te impõe essa dieta 
Quase que como um dever 
É outra vez a marreta 
Que levanta e vem ao chão 
É a dureza concreta 
Da vida da cosntrução 
É tua tristeza certa 
É tua cama de pau 
É tua existência tonta 
Precisando de oração 
Se o que te corre nas veias 
Já não te sustenta mais 
Te resta o chão, o limite 
De onde nunca passarás 
Senão pra vala comum 
Sem sete palmos contar 
Pra tua pouca magreza 
Dois ou três hão de bastar"

Mas alguem me disse assim que basta ser concreto basta ser objetivo veja como tudo fica claro tudo se explica que merda droga porra nada existe nada é concreto salvo a poesia salve a poesia faça menina faça meninos mas não reproduza simplesmente produza crie se rasgue se arrebente nós viemos ao mundo pra arregaçar irmãzinha...

"Tô com raiva e dessa vez não passa não
Já vem de muito longe e se for mágoa
Eu já senti e não tem explicação
Se eu quem engoli e tudo de uma vez
Mas vou cuspir pra digerir, algo de novo
È, vou curtir que é bem melhor!
Reaproveitar, sem insistir no que eu já cansei
E não foi em vão e com os pés no chão
Eu sigo em frente, não é tão distante
Pois tenho uma vida pela frente, sai da frente!
Que eu já larguei, você, libertação
De um sentimento tão doente
Cego e esquecido, pois eu não escrevi
Não espoliando sentimento, é bem por ai!

Vou procurar esquecer pra lá do além
O que a razão sempre descobre
E insistir em sentir...
Um sentimento que a razão nunca remove

Despertei mais uma vez
E pra quem não cansa da maldade
Igualzinho eu persisto no bem
Seguindo vida entre um paralelo
Entre a morte vida, e a vida viva zen
Nessa disputa não há certo ou errado
O mais provável é a melhor refuta que vem
Desbancar num nano o que é quem da humanidade
Só sei que nada sei além, da subjetiva liberdade.

Vou procurar esquecer pra lá do além
O que a razão sempre descobre
E insistir em sentir...
Um sentimento que a razão jamais remove"

... e cadê os meus malucos e onde estão os meio malucos viva eles vivo eu ou não meio morte meio aí meio subjetivo nada concreto cimento grana dinheiro triste amor fim aqui estou frio nos pés calor nas mãos alguém me diga que não devo continuar mas quem poderia eu não obedeço eu morri e não estou no céu.

"
O céu vai tão longe está perto
o céu fica em cima do teto
o céu tem as quatro estações
escurece de noite, amanhece com o sol

O céu serve a todos
o céu ninguém pode pegar
o céu cobre a terra e a lua
entra dentro do quarto, rua do avião..."
     


arrebente
                     se      ra                   se                          .produza .
                                  s                            crie                             
                                     gue

                                                nada é certo,
                                 teu peito,
                                                 verso, linha,
                            dor ou alegria, 
                                     medo e  coragem... nada...
                          
      Nada é concreto muito menos, poesia.


                  whatever it means...


"... Dentro do universo mora o céu
O céu pára-quedas e saltos
o céu vai do chão para o alto
o céu sem começo nem fim
para sempre serei seu fã"    
                                      
                                                      ... poesia.

4 comentários:

  1. "... E o mundo tem sede de que se crie.
    O mundo quer inteligência nova
    Sensibilidade nova
    O que aí está a apodrecer na vida,
    quando muito, é estrume para o futuro
    O que aí está não é nada
    E não pode durar
    Eu, da raça dos navegadores, digo:
    que não pode durar!..."


    ÁLVARO DE CAMPOS, 1917.

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  2. De ter fome, fome ter...Fome DE ter...Ter sempre mais...

    Engraçado...Esse título me lembrou um tal de Francorebel...rsrsrs

    Tô te seguindo.

    Beijos, Misunderstood.

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  3. Arregaçou mesmo.

    Destacou o que devia ser destacado no texto.

    Muito bom.

    Aplausos!

    F.

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