sábado, 28 de julho de 2012

deito na cama ainda de óculos,

são duas da manhã,
e não há nada que eu possa fazer,

olho insatisfeita para as  paredes rosa,
do meu quarto,
ele não se parece nada comigo...

escondo por alguns segundos,
minha cabeça debaixo das cobertas...

quem define angustia?

quem define qualquer coisa?

há uma teia de aranha no teto,
que nunca lembro de limpar,

há livros e papéis,
velhos e insignificantes sobre a mesa,

talvez insignificantes demais para que  me lembre de me livrar deles...

há o tédio e a solidão,
indiferença,
a alheia e a minha própria indiferença...

há uma teia de aranha no teto...

há uma teia de qualquer coisa
em mim,
que nunca lembro de limpar...

deixo pra limpar de manhã.

sim,  deixo pra amanhã.

sempre deixo pra amanhã...

3 comentários:

  1. Acho que o nosso clube tem teias de aranha.

    Em nós.

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  2. Ah Mirtes
    As coisas às vezes ficam assim...
    Gostei muito do poema, especialmente por abranger algo que acontece especialmente com quem se envolve com a arte.
    Mais importante que a sinceridade comum é a tua sinceridade.

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  3. Me identifiquei... A única diferença é que a parede do meu quarto é verde.

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