minhas unhas ruidas,
a cara de sono,
o cabelo por pentear,
tênis sujos,
e até as teias de aranha no teto do meu quarto
permanecem iguais...
inalteravelmente irrelevantes
e
entediantes.
os meus dias vão ficando cada vez mais
abstratos,
e sufocantes
vinte e um anos,
de uma vida sem grandes lembranças,
e sei lá quantos versos inacabados
que permanecem
quietos
em cima da minha mesa
se revirando
pelo meu corpo todo...
e eu mesma,
quieta e inacabada,
a me
revirar,
pelo meu quarto todo,
como quem procura,
um sei lá o que...
e se calhar,
esse sei lá o que, sou eu mesma,
nas minhas unhas ruidas,
na cara de sono,
no cabelo por pentear,
e em todas
as outras ladainhas,
tão minimas, e tão minhas.
sim, sou eu mesma.
a questão é:
e daí?...
E daí que é você...
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